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Transportadores com "vontade de mostrar descontentamento" se não houver apoios

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Foto Shutterstock

Os transportadores manifestaram hoje vontade de mostrar o seu descontentamento público se não houver um reforço de apoios para fazer face ao aumento dos combustíveis, numa reunião promovida pela Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários (ANTRAM).  

"Os transportadores acabaram por nos dar um mandato de uma importância que o setor tem e que estão dispostos a demonstrar o seu descontentamento. Vamos continuar a trabalhar com o Governo, como temos feito, temos uma reunião prevista para próxima segunda-feira. No fundo, é transmitir aquilo que vimos transmitindo, que o setor tem que ser ajudado, porque as empresas estão num nível de desespero, diria, até muito grande", afirmou a presidente da ANTRAM.

Ema Leitão falava no final de uma reunião de associados, em Coimbra, que contou com cerca de uma centena de participantes, para avaliar a resposta dada pelo Governo para limitar o impacto da subida dos combustíveis causado pela guerra no Médio Oriente.

Aos jornalistas, a presidente da ANTRAM disse que na reunião, que durou cerca de duas horas, os transportadores demonstraram o seu "descontentamento com a ideia que passa" que o setor "está a ser de facto beneficiado e ajudado", quando a medida anunciada "vem repor os níveis de gasóleo profissional" que já tinha antes do conflito no Irão.  

"Esta medida é completamente neutra, não há nenhum tipo de ajuda ao setor em particular, e é isso que os transportadores precisam neste momento, são de ajudas reais, de medidas extraordinárias, que vimos trabalhando com o Governo", defendeu.   

Ema Leitão salientou ainda o facto de Espanha ter anunciado "um pacote robusto e muito direcionado ao setor" e que "está a fazer muita mossa em termos de concorrência e é importante que se reponha alguma igualdade".

Questionada sobre que medidas foram deixadas na reunião de hoje se não houver sucesso junto do Governo, a dirigente apontou "a demonstração pública do descontentamento por parte dos transportadores", com os associados a pedirem um novo encontro "se, num curto espaço de tempo, as medidas não evoluírem" e se não tiverem "o anúncio de algumas medidas especificas para o setor".

"O desespero é tal que pediram-nos para voltarmos a fazer uma reunião. Necessariamente, terá que escalar a partir do momento que as empresas sentem que não têm condições de continuar", afirmou.

Tal como a Lusa noticiou, a ANTRAM esclareceu, num comunicado aos associados, que não existe "um reforço adicional" das ajudas ao gasóleo profissional nem o setor está a ser apoiado em 20 cêntimos por litro.

De acordo com a ANTRAM, a medida extraordinária de apoio ao gasóleo profissional no valor de 10 cêntimos aprovada na reunião do Conselho de Ministros de 27 de março, e comunicada no briefing semanal pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, "corresponde exatamente ao valor já anunciado na semana anterior, não se tratando, portanto, de um reforço adicional. Assim, é incorreto afirmar que o setor está a ser apoiado em 20 cêntimos".

O que foi decidido em Conselho de Ministros foi a aprovação da medida que enquadra legalmente o apoio anunciado cerca de 10 dias antes no parlamento por Luís Montenegro.

Ou seja, o Governo aprovou um único apoio extraordinário de 10 cêntimos por litro, a aplicar entre 01 de abril e 30 de junho, no gasóleo profissional para veículos de transporte de mercadorias e de passageiros, até ao limite de 15 mil litros.

A medida aplica-se apenas aos veículos de transporte de mercadorias com mais de 35 toneladas e aos autocarros com mais de 22 lugares.