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Guerra no Irão Mundo

Londres convoca embaixador iraniano em protesto contra comportamento de Teerão

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Foto EPA

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido convocou ontem o embaixador iraniano em Londres para protestar contra o comportamento de Teerão, acusando-o de "tentar arrastar a região do Médio Oriente para um conflito mais amplo".

"Isto representa uma clara ameaça à segurança da região e às centenas de milhares de cidadãos britânicos na região. O Irão deve ser responsabilizado pelas suas ações", frisou o Governo britânico do primeiro-ministro Keir Starmer, em comunicado.

O responsável pela diplomacia britânica para o Médio Oriente, Hamish Falconer, transmitiu a Mousavi o descontentamento de Londres em relação aos recentes acontecimentos regionais e afirmou que o Reino Unido "protegerá a sua segurança nacional", enquanto "a vida dos cidadãos britânicos continuará a ser a sua principal prioridade".

Fonte ocidental revelou hoje que contratorpedeiro britânico HMS Dragon partirá para o Mediterrâneo Oriental "na próxima semana", onde ajudará a proteger os aliados do Reino Unido e as bases britânicas no Chipre.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou na terça-feira o envio deste contratorpedeiro da classe T45 da Marinha Real, juntamente com dois helicópteros Wildcat, em resposta a ataques com drones contra vários países da região e depois de a base militar britânica em Akrotiri, no Chipre, ter sido atingida por um drone na madrugada de domingo para segunda-feira.

O Governo britânico foi alvo de críticas pela alegada lentidão em enviar recursos adicionais de defesa para a região.

"O único navio que estamos a enviar, o HMS Dragon, ainda está em Portsmouth (sul de Inglaterra). Isto não é suficiente", apontou hoje a líder da oposição conservadora, Kemi Badenoch, ao primeiro-ministro Keir Starmer durante a sessão de perguntas ao primeiro-ministro no Parlamento.

"Porque é que está a pedir aos nossos aliados que façam o que nós próprios deveríamos estar a fazer?", questionou Badenoch, enquanto a França anunciava o envio do porta-aviões Charles de Gaulle para o Mediterrâneo e da fragata Languedoc, juntamente com armamento antiaéreo, para o Chipre.

Keir Starmer está também a ser criticado pelos conservadores por ter inicialmente negado aos Estados Unidos a permissão para utilizar bases militares britânicas para realizar ataques contra o Irão.

Finalmente deu a sua aprovação na noite de domingo para que Washington usasse a base de Diego Garcia, no oceano Índico, e a base de Fairford, no sudoeste de Inglaterra, para bombardear instalações de mísseis iranianas, depois de vários países do Golfo terem sido alvo de ataques de retaliação iranianos.

Atualmente, "os bombardeiros norte-americanos não utilizaram Diego Garcia e Fairford para missões", garantiu outra fonte ocidental durante a mesma conversa com os jornalistas, acrescentando que esperavam que isso acontecesse "nos próximos dias".

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão,  tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.