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Assembleia Legislativa Madeira

PS quer apostar na Escola Agrícola da Madeira com novo curso

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Os trabalhos na Assembleia Legislativa Regional foram retomados, após um breve intervalo, com apreciação na generalidade do projecto de resolução, da autoria do PS, intitulado “Recomenda ao Governo Regional da Madeira a criação de um curso profissional de nível 4 - técnico/a de produção agrícola na Escola Agrícola da Madeira, integrando mecanismos de rvcc [Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências]".

O diploma foi apresentado por Gonçalo Leite Velho do Partido Socialista (PS) que destacou a importância de apostar na Escola Agrícola da Madeira.

Esta proposta apresenta uma dupla dimensão no âmbito da sustentabilidade. Trata-se de uma iniciativa que aposta simultaneamente na agricultura e na educação enquanto fatores essenciais de desenvolvimento sustentável. A aposta na agricultura revela-se hoje ainda mais necessária perante os actuais desafios geopolíticos que vivemos. Investir na agricultura da Madeira é investir não apenas no desenvolvimento económico e na sustentabilidade da Região, mas também na sua capacidade de autonomia face a esses desafios. Gonçalo Leite Velho do Partido Socialista, PS 

O parlamentar salientou que, do ponto de vista agrícola, esta proposta procura melhorar a "qualificação" e "conhecimento" dos agricultores madeirenses, possibilitando a que estes conciliem a sua actividade profissional com o regresso à escola, "valorizando simultaneamente experiência prática e conhecimento técnico".

Estamos perante uma aposta clara na educação profissional, concretizada através do reforço da escola agrícola, que tem estado relativamente afastada das dinâmicas educativas que deveriam enquadrar o sector Gonçalo Leite Velho do Partido Socialista, PS 

O deputado do PS explicou ainda que a proposta assenta em três vectores: a acreditação, o financiamento e as parcerias.

O socialista foi confrontado pelo deputado único da Iniciativa Liberal (IL), Gonçalo Maia Camelo, que questionou se o curso profissional proposto vem responder a uma lacuna identificada no mercado de trabalho. 

Por seu turno, Miguel Castro, do Chega, destacou que - mais do que incrementar a oferta formativa - é necessário atrair mais jovens para a agricultura.

A Escola Agrícola da Madeira já ministra formação técnica certificada e profissional em diversas áreas da agricultura e da produção, nomeadamente aplicação de produtos fitofarmacêuticos, apicultura, capacitação de empresários agrícolas, produção vegetal e intervenções em espaços verdes, respondendo a necessidades concretas do sector. Não estamos, por isso, perante um vazio formativo. Aliás, um dos maiores desafios do setor agrícola prende-se precisamente com a falta de formandos — ou seja, com a reduzida procura por parte dos jovens por formação agrícola Miguel Castro, Chega

Para o parlamentar, "o verdadeiro debate deve ser outro: saber se queremos estruturar uma resposta formativa estável, estratégica e orientada para atrair jovens para o sector primário".

Precisamos de mais jovens — e também de menos jovens — na agricultura. Precisamos de profissionalizar o setor, reforçando a formação técnica sólida, ligada ao mercado e às explorações agrícolas reais Miguel Castro, Chega

Já o PSD, pela voz do deputado Válter Correia classificou a proposta socialista como "um nado-morto político, cheio de retórica mas vazio de ideias concretas".

Miguel Garança pelo JPP manifestou, por seu turno, "respeito pela intenção", mas sob pena de ser "afinada".