Sectores do Estado têm sido principais alvos de ciberespionagem
Os sectores da energia, telecomunicações, saúde, educação e finanças têm sido os principais alvos de ciberespionagem e ciberataques em Portugal, sendo parte destes ataques apoiados pela Rússia, Coreia do Norte, China e Irão, segundo o relatório de segurança interna.
Os dados divulgados hoje pelo Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025 revelam que "uma parte desses incidentes [ciberataques] estão relacionados com atores estatais apoiados por países como a Rússia, Coreia do Norte, China e Irão" e que os atacantes recorrem cada vez mais a tecnologias avançadas com uso de inteligência artificial.
Estas técnicas mais avançadas tornam "os ataques mais difíceis de detetar e, consequentemente, de mitigar", lê-se no documento entregue hoje na Assembleia da República.
Em relação à Rússia, o RASI dá conta de uma ameaça com origem neste país e que está relacionada com a recolha de informação sensível, "realizada de forma clandestina, bem como a sabotagem dirigida a empresas e outras entidades que integram fatores de inovação no material de guerra enviado para a Ucrânia, com o intuito de estribar o desempenho militar ucraniano".
O Serviço de Informações de Segurança (SIS) dá ainda conta neste relatório de que a Rússia "continua a recorrer a um extenso leque de meios para obter acessos privilegiados e exercer pressão sobre os seus adversários", sendo que, por este motivo, durante o ano passado, o SIS estreitou a cooperação com as instituições governamentais para lidar com tal ameaça.
Ainda sobre a Rússia, o RASI sublinha ainda que, durante o ano de 2025, as preocupações estiveram centradas em eventuais ações de sabotagem que poderiam visar essencialmente estruturas críticas como é o caso dos submarinos.
"Considerando que Portugal constitui um ponto de passagem e de amarração de importantes estruturas deste tipo, a ameaça russa foi ponderada e, em resultado, foi adotado um esforço conjunto de prevenção por parte de várias autoridades nacionais", refere o relatório, que aponta para uma especial atenção a atividades de reconhecimento no mar, sobretudo relativas a navios russos.