Criminalidade grupal e delinquência juvenil diminuíram pela primeira vez desde a pandemia
O número de crimes praticados em contexto de grupo ou por jovens diminuiu no ano passado pela primeira vez desde a pandemia, em 2020, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025, entregue hoje no parlamento.
Segundo o documento, em 2025 registaram-se 7.190 ocorrências de criminalidade grupal e 2.036 ocorrências de delinquência juvenil, menos 1,2% e 1,3%, respetivamente, face ao ano anterior.
Foi a primeira vez que o número de ocorrências com estas características diminuiu desde o período da pandemia de covid-19, quando os crimes praticados em contexto de grupo ou por jovens caíram entre 2019 e 2020.
Apesar da inversão da tendência de aumento, repetem-se, de maneira geral, as dinâmicas observadas em anos anteriores.
No que respeita à criminalidade grupal, os suspeitos são maioritariamente jovens entre os 15 e os 25 anos, mantendo-se também dinâmicas de rivalidade entre grupos oriundos de diferentes zonas ou bairros, com maior expressão na Área Metropolitana de Lisboa e no distrito de Setúbal.
Neste contexto, as redes sociais funcionam como "extensão do território físico e do próprio grupo", alerta o relatório, que explica que plataformas como o TikTok, Instagram ou Youtube contribuem para a amplificação dos conflitos, afirmação simbólica e mobilização rápida de elementos.
O documento sublinha ainda que crimes como violação, roubo de viatura, ofensa à integridade física grave e extorsão sexual aumentaram, apesar da diminuição global da criminalidade grupal, que o RASI admite que, na realidade, possa ser mais significativa, uma vez que existem "indícios da existência de episódios de conflitualidade grupal que não chegam a ser formalmente denunciados".
Quanto à delinquência juvenil, os crimes mais verificados foram ofensas à integridade física voluntária simples, ameaça e coação, furto em edifício comercial ou industrial, que ocorreram essencialmente durante o período escolar e nos dias úteis.
Os autores são, sobretudo, rapazes entre os 12 e os 15 anos, a mesma idade das vítimas.
O relatório destaca ainda a predominância de ilícitos de natureza sexual, sem contabilizar, frequentemente praticados em contexto escolar ou em ambientes de proximidade relacional.
A maioria dos autores é do sexo masculino e as vítimas são sobretudo raparigas, em geral entre os 14 e 15 anos e os factos investigados incluem abusos sexuais e violações, e importunação sexual, praticados por grupos de menores e, frequentemente, em contexto escolar.
O relatório alerta ainda para o aumento do crime de pornografia de menores, associado à partilha de conteúdos íntimos e de cariz sexual entre menores, tendo-se registado casos de extorsão após o envio de imagens intimas, que acabam por circular entre colegas.
No que respeita à área de atuação da Polícia Judiciária, em 2025 foram abertas 3.044 investigações, mais 28% face ao ano anterior, relacionadas com burlas, burlas informáticas, branqueamento, tráfico de estupefacientes, extorsão, falsificação ou contrafação de documento, auxilio e associação de auxilio à imigração ilegal.
"A análise da criminalidade grupal revela uma crescente organização, especialização funcional e adaptação tecnológica", acrescenta o RASI.
No âmbito do Programa Escola Segura, registaram-se 8.133 ilícitos em ambiente escolar (mais 14,1%) durante o ano letivo 2024/2025, dos quais 5.694 ocorrências de natureza criminal (menos 0,9%).
Dessas, 2.198 foram ofensas à integridade física, 1.394 injurias e ameaças, 931 furtos, 182 ofensas sexuais, 120 roubos e 114 caos de uso ou posse de arma.