Madeira como “nó” estratégico no Atlântico
João Daniel Luís destaca inovação, energia e economia azul no HUB
A Madeira deve afirmar-se como um “nó de conectividade, inovação e competitividade” no Atlântico, defendendo um posicionamento estratégico que vá além da ideia de região periférica. A ideia foi defendida por João Daniel Luís na sessão de auscultação pública do HUB Tecnológico Marítimo-Portuário da Região Autónoma da Madeira.
O técnico da Direcção Regional de Ambiente e Mar considerou que o projecto representa uma oportunidade para reforçar o papel da Região como plataforma intermédia entre a Europa, a África Ocidental e as Américas, potenciando ligações marítimas e integração regional.
Entre as prioridades apontadas, destacou a transição energética e a descarbonização dos portos, defendendo a electrificação, o recurso a combustíveis alternativos e a integração de energias renováveis. “Não é apenas uma exigência ambiental, é também um factor de competitividade”, sublinhou.
A digitalização surge como outro eixo central, com a aposta em sistemas integrados e monitorização em tempo real, permitindo posicionar a Madeira como um laboratório de inovação em contexto real.
João Daniel Luís defendeu ainda a necessidade de diversificar a economia azul, alargando o projecto a áreas como a investigação marinha, energias oceânicas, biotecnologia azul e infra-estruturas digitais, incluindo cabos submarinos.
O responsável destacou também a importância de valorizar o trabalho científico desenvolvido na Região, bem como a experiência na aquacultura, alertando para a necessidade de considerar os impactos das alterações climáticas e reforçar a resiliência logística.
Entre outros pontos, sublinhou a aposta no capital humano, com formação especializada e ligação ao sistema científico, e a importância de uma governação ágil para atrair investimento.
Concluiu que o sucesso do HUB dependerá da sua integração territorial e aceitação social, garantindo o equilíbrio com o turismo, a protecção ambiental e o desenvolvimento das comunidades, assumindo-se como um projecto estruturante para o futuro da Madeira.