Saiba o que hoje é notícia
Os ministros da Energia da União Europeia (UE) vão reunir-se hoje num encontro extraordinário por videoconferência para discutir a segurança do aprovisionamento energético devido à crise provocada pelo conflito no Médio Oriente.
O encontro -- que não constava da agenda da presidência cipriota do Conselho e foi anunciado na passada sexta-feira -- surge quando se assinala um mês desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços, com o petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril.
A UE enfrenta, assim, uma crise energética marcada não pela escassez imediata de fornecimento, mas pelo aumento acentuado dos preços de energia.
Embora a Comissão Europeia tenha afirmado que o abastecimento energético está de momento garantido, a volatilidade nos mercados globais de gás, petróleo e eletricidade continua a pressionar consumidores e indústrias.
Hoje, também é notícia:
CULTURA
Duas exposições dedicadas à obra de Paula Rego, com destaque para uma centrada no estudo técnico e restauro da pintura "O Exilado", são inauguradas hoje na Casa das Histórias, em Cascais.
Intitulada "O Exilado: da Criação à Conservação", a exposição apresenta, pela primeira vez, um projeto exclusivamente dedicado à análise material e à intervenção de conservação de uma obra de Paula Rego (1935-2022), tornando visível um processo habitualmente reservado aos bastidores museológicos.
Em paralelo, a Casa das Histórias inaugura no mesmo dia a exposição "Paula Rego: Meninas Exemplares", também com curadoria de Catarina Alfaro, que explora a figura da menina-mulher, um dos temas recorrentes na obra da artista.
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O Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, celebra hoje 75 anos com um espetáculo dirigido por Isabel Albergaria Sousa e Maria João Gouveia que foi construído como uma trilogia temporal constituída por passado, presente e futuro.
A repetir na quarta-feira, "O Espetáculo" junta em palco várias expressões artísticas como cinema, dança, música e teatro, interpretadas por uma orquestra de 45 elementos, coros com 60 membros, dois solistas, dois pianistas, um baterista, 11 bailarinas e um grupo de hip-hop.
Inaugurado em 31 de março de 1951, o Teatro Micaelense foi projetado pelo arquiteto Raul Rodrigues de Lima.
ECONOMIA
O prazo para os contribuintes irem ao Portal das Finanças reclamar do valor de certas despesas assumidas pelo fisco no cálculo das deduções de IRS de 2025 termina hoje, véspera do início da entrega das declarações de rendimento.
O período para submeter as declarações de IRS relativas aos rendimentos do ano passado à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) arranca na quarta-feira e, até ao dia anterior, os contribuintes podem ir à sua área pessoal no 'site' das Finanças verificar o valor das deduções e apresentar uma reclamação se identificarem algum erro ou alguma omissão relativamente ao valor das despesas gerais familiares e das despesas pela exigência de fatura realizadas ao longo de 2025.
Em causa estão, por exemplo, despesas emitidas com Número de Identificação Fiscal (NIF) em restaurantes, cafés, hotéis, cabeleireiros, barbeiros, institutos de beleza, ginásios, oficinas de reparação automóvel e veterinários.
INTERNACIONAL
O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se hoje de emergência, após a morte de três 'capacetes azuis' no sul do Líbano, uma zona de confrontos entre Israel e o movimento pró-Irão Hezbollah.
A França solicitou a reunião, que terá início às 10:00 (14:00 em Lisboa), enquanto Israel ordenou ao exército que expandisse a "zona de segurança" no Líbano, onde juntou os ataques aéreos a uma incursão terrestre iniciada em meados de março
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) informou que está a investigar a morte de três militares indonésios, no espaço de 24 horas, em dois incidentes separados no sul do território libanês.
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A alta representante da União Europeia e chefes da diplomacia de países do bloco reúne-se hoje em Kiev para assinalar o quarto aniversário do massacre de civis cometido pelas forças russas em Bucha, nos arredores da capital ucraniana.
Está prevista a realização de uma reunião ministerial informal, presidida por Kaja Kallas, que pretende discutir o apoio da União Europeia (UE) à Ucrânia, medidas de pressão sobre a Rússia e os esforços para alcançar a paz, segundo avançou o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, o anfitrião do encontro.
Sybiha destacou ainda que a data "é simbólica", pois irá assinalar "o sombrio aniversário do massacre de Bucha", e irá servir também para reafirmar "o compromisso de exigir que os criminosos russos respondam por esta e outras atrocidades".
O Governo ucraniano estima em mais de 400 o número de pessoas executadas em Bucha, uma pequena cidade localizada a cerca de 40 quilómetros de Kiev, durante a ocupação russa nos primeiros dias da guerra, iniciada a 24 de fevereiro de 2022.
A visita dos representantes europeus termina com uma cerimónia de entrega de equipamento energético aos Caminhos-de-Ferro ucranianos.
O encontro ocorre num momento em que a Hungria mantém o bloqueio ao empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia, um veto que Budapeste justifica acusando Kiev de sabotar o transporte de petróleo russo para território húngaro através do oleoduto Druzhba, a ser reparado após um ataque das forças de Moscovo. Também por aprovar está o 20.º pacote de sanções à Rússia.
A reunião acontece também depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto, ter admitido manter contactos diretos com o homólogo russo, Serguei Lavrov, antes e depois de reuniões do Conselho Europeu, o que considerou parte do trabalho diplomático.
LUSOFONIA, ÁFRICA E COMUNIDADES
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas inicia hoje uma visita de quatro dias à Venezuela, onde se vai encontrar com o chefe da diplomacia venezuelana e com a comunidade portuguesa, nomeadamente com familiares dos luso-venezuelanos detidos.
Emídio Sousa, de visita a Caracas e Valência, entre hoje e sexta-feira, tem como primeiro ponto na sua agenda uma reunião com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil Pinto.
Seguem-se encontros com familiares dos seis luso-venezuelanos que permanecem detidos, com a comunidade portuguesa e com a representação diplomática portuguesa no país.
Agendados estão ainda, entre outros, encontros com professores de língua portuguesa, com funcionários da embaixada em Caracas e com os conselheiros das comunidades portuguesas.
A deslocação de Emídio Sousa à Venezuela esteve agendada para o início de março, mas foi adiada devido ao contexto internacional e "à decorrente necessidade" do secretário de Estado "ficar a coordenar a operação de repatriamento dos cidadãos portugueses na região do Médio Oriente", referiu, num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
SOCIEDADE
A Plataforma Lisboa em Defesa do Serviço Nacional de Saúde realiza hoje uma ação de protesto junto ao Hospital São José, em Lisboa, para denunciar "o agravamento inaceitável" das condições de acesso aos cuidados de saúde.
A "ação de denúncia" terá início às 07:30 e inclui a distribuição de um comunicado aos utentes e profissionais de saúde e uma conferência de imprensa para alertar para a urgência de "travar a degradação do SNS".
Entre os principais problemas apontados está a reorganização dos serviços de urgência, nomeadamente o encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia dos hospitais de Vila Franca de Xira e do Barreiro, concentrando a resposta "numa só localidade", uma situação que obriga grávidas "a percorrer quilómetros e quilómetros".
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Os técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH) do INEM iniciam hoje uma greve ao trabalho administrativo, por tempo indeterminado, para reivindicar a implementação integral dos protocolos que definem a sua atuação no socorro à população.
O presidente do sindicato dos TEPH, Rui Lázaro, adiantou à Lusa que estão por implementar três protocolos de atuação farmacológicos, nas áreas da dor, das intoxicações e das paragens cardiorrespiratórias, que impedem os técnicos de atuar, "com claro prejuízo para os cidadãos".
Segundo o acórdão do colégio arbitral, a que a Lusa teve acesso, ficam excluídas da paralisação "tarefas indissociáveis do ato do socorro", como o registo clínico integral das ocorrências, a verificação e registo obrigatório dos equipamentos de suporte imediato de vida, o cumprimento do plano de higienização semanal e extraordinária das ambulâncias e registo imediato de consumos de fármacos e material clínico para evitar ruturas de 'stock', entre outras tarefas.