Entre o volante e a paciência

Quem anda de autocarro com frequência sabe: a maioria dos motoristas é profissional, correta e até simpática. Cumprimentam, ajudam e fazem o seu trabalho como deve ser. Mas, de vez em quando, aparece aquele condutor mais seco, de resposta torta, que muda logo o ambiente dentro do autocarro.

Há passageiros que já evitam fazer perguntas para não levarem uma má resposta. E isso levanta uma questão simples: de quem é a culpa?

Conduzir um autocarro não é tarefa fácil. Exige atenção constante, responsabilidade e nervos de aço para lidar com trânsito, horários apertados e dezenas de pessoas ao mesmo tempo. Ao fim de anos, o desgaste nota-se, a paciência encurta, mesmo que não devesse.

Também nem todos têm a mesma preparação para lidar com o público. Saber conduzir é obrigatório, mas saber comunicar com respeito devia ser igualmente essencial. E depois há o feitio de cada um, que não desaparece só por vestir uma farda.

Mas uma coisa tem de ficar clara: compreender não é desculpar. O passageiro não tem culpa de dias maus. Quem trabalha com o público tem de manter o respeito, sempre.

E isto não é exclusivo de um caso ou de uma empresa. Acontece um pouco por todo o lado na Madeira, seja nos autocarros da Horários do Funchal, da Rodoeste, da SAM ou de outras. No melhor pano cai a nódoa.

Por outro lado, também é justo dizer: muitos motoristas passam o dia a lidar com pressas, impaciência e falta de educação de alguns passageiros. O problema não está só de um lado.

No fim, tudo se resume ao básico: respeito. De parte a parte. Porque, dentro de um autocarro cheio, é isso que faz a diferença entre uma viagem tranquila e um ambiente pesado.

António Rosa Santos