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Madeira

Dina Letra, reeleita coordenadora do BE-Madeira, critica políticas regionais

Foto Bloco de Esquerda
Foto Bloco de Esquerda

Dina Letra foi reeleita coordenadora regional do Bloco de Esquerda na Madeira, durante a XI Convenção Regional do partido, realizada neste domingo no Funchal.

Na intervenção de encerramento, a dirigente afirmou que a Região “não é uma periferia da República”, defendendo maior centralidade para os problemas de quem vive e trabalha na Madeira. Criticou o Governo Regional liderado por Miguel Albuquerque, acusando-o de favorecer elites e de transformar o crescimento económico em desigualdade.

Dina Letra apontou a inflação, o aumento do custo do cabaz alimentar e o risco de pobreza como sinais de empobrecimento da população, sublinhando que a riqueza gerada não se reflecte em melhores salários, habitação acessível ou serviços públicos mais robustos. Criticou ainda o modelo de mobilidade e denunciou problemas no Serviço Regional de Saúde (SESARAM), referindo falta de meios e situações de atendimento precário. A coordenadora defendeu maior justiça fiscal, o fim de benefícios às grandes fortunas e o reforço de salários, pensões e serviços públicos, apelando à mobilização da esquerda por “uma vida digna” na Região.

Também presente na convenção, o coordenador nacional José Manuel Pureza criticou o modelo económico regional, que considerou assente no turismo, em baixos salários e no aumento do custo da habitação. O dirigente nacional do BE acusou o Governo Regional de proteger interesses instalados e apontou a concentração de riqueza, os benefícios fiscais e a falta de regulação do alojamento local como factores que agravam as dificuldades das famílias.

Defendeu medidas como a limitação das rendas, a mobilização de edifícios públicos devolutos e o combate aos lucros extraordinários, apelando a uma maior intervenção política nas ruas e nas instituições. Referiu ainda a necessidade de mais transparência e de melhores respostas para mulheres, pessoas LGBT e jovens, associando estes últimos à emigração e à precariedade.

A convenção ficou também marcada pela intervenção de Francisco Pinto, eleito responsável da juventude do partido na Região. O dirigente destacou a precariedade jovem, denunciando situações de contratos instáveis, falsos recibos verdes e estágios não remunerados. Francisco Pinto alertou ainda para a crise da habitação, que atribuiu à especulação imobiliária, e defendeu maior participação cívica dos jovens, nomeadamente nas escolas e na Universidade da Madeira. Destacou também temas como a saúde mental e a justiça climática, apelando à mobilização e participação activa da juventude.

A XI Convenção Regional terminou com um apelo à acção política e ao reforço do compromisso do partido com “uma Madeira de todos”.