António José Seguro alerta para efeitos da instabilidade internacional na economia portuguesa
O Presidente da República afirmou hoje estar "naturalmente preocupado" com a evolução da situação internacional e com o impacto das tempestades, e assegurou que o Governo tem vindo a aprovar "os apoios necessários em cada momento" para famílias e empresas.
Em declarações aos jornalistas, após a Cerimónia de Apresentação das Forças Armadas, que decorreu hoje, em Santarém, António José Seguro sublinhou que tem acompanhado "com muita atenção" as consequências económicas das condições meteorológicas adversas e do agravamento das tensões no Médio Oriente, reiterando que os efeitos se fazem sentir em áreas sensíveis da economia.
Segundo o Presidente, ao longo da última semana manteve "reuniões com a Autoridade da Concorrência e com o regulador do setor energético" para avaliar as subidas registadas "na energia e na alimentação".
Nessa série de encontros, recebeu também a Liga dos Bombeiros, que o alertou para dificuldades no pagamento de combustíveis, nomeadamente no transporte de doentes.
"Tenho passado a semana inteira, para além das reuniões com o primeiro-ministro, a inteirar-me do impacto deste conflito", referiu.
O Presidente apelou a que "se ponha fim ao conflito no Médio Oriente", defendendo que todas as partes devem fazer "tudo o que está ao seu alcance para a paz", sublinhando que a instabilidade internacional tem reflexos diretos na vida dos portugueses, sobretudo "nas famílias que vivem com mais dificuldades".
Seguro reconheceu que, apesar de uma ligeira descida num dos combustíveis, a volatilidade continua a ser motivo de preocupação.
"Há muitas vezes uma subida como um foguetão e uma descida muito lenta, como uma pena", afirmou, destacando o efeito direto que estes movimentos têm nos orçamentos das famílias, sobretudo as mais vulneráveis.
Sobre a atuação do Governo, Seguro afirmou que o primeiro-ministro lhe tem garantido que os apoios são definidos "em cada momento", reiterando confiança na resposta às necessidades sociais e económicas provocadas tanto pela situação meteorológica como pelo contexto externo.
António José Seguro adiantou ainda que no primeiro mês de mandato promulgou diversos decretos, garantindo que a Presidência da República se encontra em "plena atividade".
"Estamos em plena atividade. A Presidência da República está, nestas primeiras semanas de mandato, a fazer aquilo que se lhe exige", concluiu.
Presidente da República evita polémica sobre eleições para Tribunal Constitucional
O Presidente da República disse hoje acreditar que o parlamento vai eleger os membros do Conselho de Estado antes de 17 de abril e evitou comentar a polémica sobre a eleição de juízes para o Tribunal Constitucional (TC).
"A minha convicção é a de que, quando reunir o Conselho de Estado no próximo dia 17 de abril, ele já tenha os novos representantes do parlamento. É esse o desejo, é isso que o país exige e é essa a minha convicção", afirmou aos jornalistas António José Seguro, em Santarém, horas depois da cerimónia de apresentação das Forças Armadas.
Após vários adiamentos da eleição de representantes da Assembleia da República para vários órgãos externos, como o TC, mas também o Conselho de Estado, a que preside, Seguro optou por não se pronunciar sobre a polémica que opõe PSD, Chega e PS acerca da composição da lista para aquele tribunal.
Questionado diretamente pelos jornalistas acerca da polémica e da tensão entre os partidos, o Presidente limitou-se a dizer: "Eu confesso que, neste momento, a minha grande preocupação vai para os portugueses que passam por momentos muito difíceis e com o impacto que esta guerra [no Irão] pode ter na sua vida".
A eleição para os membros dos órgãos externos pelo parlamento está agora prevista para 16 de abril, véspera da reunião do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente, dedicada às questões de Defesa e segurança.