Secretário de Estado dos EUA acusa Zelensky de mentir sobre garantias de segurança
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, acusou hoje o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de mentir sobre uma alegada proposta norte-americana de garantias de segurança em troca da cedência da região do Donbass (leste) à Rússia.
"Isso é mentira", disse Rubio aos jornalistas após uma reunião do G7 perto de Paris, comentando que "é lamentável que [Zelensky] o tenha dito, porque sabe que não é verdade", a propósito das declarações do líder ucraniano sobre os dois principais pontos que separam Kiev e Moscovo nas negociações de paz promovidas pela Casa Branca.
Anteriormente, o Presidente ucraniano tinha declarado em entrevista à agência France-Presse (AFP) que os Estados Unidos estavam a pressionar a Ucrânia para retirar por completo as suas tropas da região de Donbass, no leste do país, para pôr fim à guerra, em troca de garantias de segurança a Kiev que previnam uma nova agressão russa.
"O que lhe disseram é óbvio: as garantias de segurança não entrarão em vigor até ao fim da guerra, porque, caso contrário, ver-nos-emos envolvidos no conflito", observou Marco Rubio, em resposta a Zelensky.
O chefe da diplomacia de Washington disse também que as garantias de segurança não estão "condicionadas à cedência de território".
Enquanto as negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia, lançada há mais de quatro anos pela invasão russa, não conhecem desenvolvimentos desde as ultimas conversações trilaterais no mês passado em Genebra, Volodymyr Zelensky tem expressado preocupação com a deslocação do foco internacional para o conflito entretanto desencadeado desde 28 de fevereiro com a ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra o Irão.
"Hoje, na reunião do G7, reiterei que o Presidente [norte-americano, Donald] Trump está empenhado em alcançar um cessar-fogo e uma solução negociada para a guerra entre a Rússia e a Ucrânia o mais rapidamente possível", reforçou Rubio numa mensagem nas redes sociais.
Nas suas declarações hoje à imprensa após a reunião com os homólogos das sete democracias mais ricas do mundo, o governante norte-americano não descartou, por outro lado, a possibilidade de os fornecimentos de equipamento militar destinados à Ucrânia serem desviados para fazer face às necessidades dos Estados Unidos no conflito do Médio Oriente.
"Ainda não foi desviado nada, mas isso pode acontecer", admitiu o secretário de Estado, acrescentando: "Se precisarmos de algo para os Estados Unidos e for algo americano, vamos dar prioridade à utilização nos Estados Unidos".
Mísseis de defesa aérea Patriot têm sido transferidos da Europa para o Médio Oriente e Volodymyr Zelensky alerta que Kiev vai enfrentar escassez daqueles sistemas de proteção norte-americanos devido à guerra no Irão e que se alastrou a outros países do Golfo.
"Se os Estados Unidos tiverem uma necessidade militar, seja para repor os nossos 'stocks' ou para cumprir alguma missão de interesse nacional, seremos sempre a prioridade quando se trata das nossas armas", insistiu Rubio.
O governante norte-americano desvalorizou ainda a influência da Rússia na nova crise no Irão e na região do Golfo, apesar das sucessivas notícias de que Moscovo partilha informações com os seus aliados iranianos na guerra contra Estados Unidos e Israel.
"Não há nada que a Rússia esteja a fazer pelo Irão que esteja, de alguma forma, a impedir ou a afetar a nossa operação ou a sua eficácia", afirmou, quando a guerra está prestes a entrar na quinta semana e Washington procura negociar com Teerão, que, por sua vez, nega conversações mas não a existência de contactos.