Chefe da diplomacia dos EUA prevê fim da guerra em duas semanas sem tropas no terreno
O secretário de Estado norte-americano disse hoje que espera o fim do conflito com Irão "nas próximas duas semanas" e que acredita no cumprimento dos objetivos de guerra sem operações terrestres na República Islâmica.
"Quando terminarmos com eles, nas próximas duas semanas, estarão mais fracos do que estiveram na história recente e incapazes de se esconderem atrás das suas armas, ou de obter uma arma nuclear", afirmou Marco Rubio aos jornalistas após uma reunião do G7 perto de Paris.
O chefe da diplomacia de Washington reforçou as palavras do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que os objetivos da guerra lançada em conjunto com Israel em 28 de fevereiro contra o Irão estão "adiantados em relação ao calendário", acrescentando e que podem ser alcançados "sem tropas terrestres".
A propósito do destacamento de milhares de militares para reforçar as operações contra o Irão, Rubio comentou que Donald Trump "tem de estar preparado para múltiplas contingências" e que as forças norte-americanas estão disponíveis "para dar ao Presidente a máxima flexibilidade e a máxima oportunidade de se ajustar às contingências, caso estas surjam".
Nas suas declarações em França, o secretário de Estado norte-americano indicou que Teerão enviou mensagens sobre a oferta de negociações para terminar o conflito iniciado há quase um mês pelos Estados Unidos e Israel, mas não respondeu ainda à proposta de um plano de paz.
"Houve uma troca de mensagens e sinais do sistema iraniano --- o que resta dele --- indicando uma disponibilidade para discutir certas questões", observou, a propósito do plano de 15 pontos enviado ao Irão através das autoridades do Paquistão para terminar o conflito.
Marco Rubio pediu também o envolvimento internacional no sentido de garantir que a navegação no Estreito de Ormuz "é segura" e de impedir que o Irão estabeleça um "sistema de portagens" nesta passagem estratégica para o transporte de bens petrolíferas, mesmo após o fim da guerra.
"Não só é ilegal, como é inaceitável, é perigoso para o mundo e é importante que o mundo tenha um plano para o impedir", declarou o secretário de Estado após a reunião com os homólogos das sete democracias mais ricas do mundo, na qual disse ter visto "muito apoio" à necessidade de combater os planos iranianos no Estreito de Ormuz.
Depois de insistir que os Estados Unidos não esperam que a guerra se transforme num "conflito prolongado", Rubio observou que o seu país deixou os objetivos da operação militar "muito claros desde o início", referindo a destruição do potencial militar do Irão, incluindo as suas "fábricas de mísseis, 'rockets' e drones, bem como a sua Marinha".
Se o Irão adquirisse uma arma nuclear, advertiu, a primeira coisa que faria seria lançá-la, à semelhança dos seus ataques contra Israel e os países do Golfo Pérsico desde o início da guerra.
"Seria de loucos estas pessoas conseguirem armas nucleares. Vejam o que são capazes de fazer com as armas que têm agora. Atacam embaixadas, atacam hotéis. Imaginem se estes lunáticos radicais tivessem uma arma nuclear para ameaçar o mundo", acrescentou, apesar da publicação recente de relatórios, incluindo nos Estados Unidos, a negar que a República Islâmica tenha progredido nos seus planos de enriquecimento de urânio nos últimos meses.
O Presidente dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira que prolongou até 06 de abril o prazo inicial de 48 horas e depois de mais cinco dias para atacar instalações energéticas iranianas, caso Teerão não levanta o seu bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, por onde circulavam antes da guerra 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, fazendo disparar os preços à escala global.
"As conversações continuam e, apesar das declarações incorretas difundidas por alguns meios de comunicação que propagam notícias falsas, estão a progredir muito bem", disse Donald Trump.
O Irão tem rejeitado a existência de negociações com Washington, embora não negue que haja contactos.
Na quinta-feira, fonte iraniana citada pela agência de notícias Tasnim referiu que Teerão apresentou cinco pontos que considerou essenciais para uma eventual trégua e que incluem a "criação de mecanismos concretos para garantir que a guerra não seja novamente imposta à República Islâmica", o pagamento "garantido e claramente definido de indemnizações e reparações" e o reconhecimento da soberania no Estreito de Ormuz.
Segundo vários órgãos de comunicação social internacionais, entre os pontos do plano dos Estados Unidos estão as exigências de que o Irão abdique dos seus planos de enriquecimento de urânio e de produção de mísseis de longo alcance, bem como do apoio a grupos políticos e militares na região, como o Hezbollah no Líbano.