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Preparar a economia madeirense

Lidar com a incerteza. Esta é o “novo normal” perante a nível internacional. No momento em que este texto é escrito as opções estão em aberto, seja o escalar do conflito, a sua resolução parcial (como diferentes comportamentos de Israel e E.U.A.), ou o restabelecimento do status quo tenso.

É óbvio e claro que a intervenção no Médio Oriente foi mal medida, com impactos imediatos na economia à escala global. Num espaço de semanas os preços dos combustíveis aumentaram na Madeira 0,313€ (21,1%) no gasóleo e 0,175€ (11,2%) na gasolina 95. Em comparação no continente, perante a mesma base de valor de mercado, o aumento foi de 0,354€ (22,5%) no caso do gasóleo e 0,190€ (11,4%) no caso da gasolina 95. Ou seja, por via da intervenção do Governo Regional no ISP conseguiu-se um desconto de 4 cêntimos no gasóleo e 1,5 cêntimos na gasolina. Menos do que um cupão do supermercado em desconto por via fiscal. Acresce um suposto Observatório de Preços, que se sobrepõe (e pode competir) com o DREM/INE.

Medidas claramente residuais numa região que há 30 meses que possui inflação muito superior à média nacional. Em que o salário médio real, mesmo com o diferencial de IRS, vale menos meio salário anual do que o nacional. Com dependência dos combustíveis fósseis, tendo como meta 50% de energia elétrica proveniente das renováveis, quando a média nacional é de 80%, num país que é líder a nível europeu (com dias com 100% de energia proveniente de renováveis).

Apesar do crescimento pós-COVID, a economia madeirense encontra-se vulnerável a choques externos. O atual governo regional continua a demonstrar uma fé inabalável no crescimento contínuo e exponencial do turismo, associado ao imobiliário. Permanece reativo em vez de proativo. Criticou a opção nacional do PRR e da prioridade à habitação (chegou a falar de esmolas). Protelou a aplicação do diferencial fiscal no IRS e no IVA. Ainda está na fase dos estudos sobre a mobilidade (recorde-se que a nova circular com túneis no Funchal era para estar toda terminada em 2023, mas nem o 1º túnel nas Quebrada foi concluído). Aposta milhões no setor público do golfe.

A economia madeirense precisa de proatividade; um novo fôlego. Algo que opere nas bases fundamentais da produção. Que resolva constrangimentos estruturais na mobilidade, na logística e na energia (fatores fundamentais na produção e na segurança). Que possa reorientar para que ganhe dimensão em diversos setores, numa verdadeira lógica de autonomia (individual e coletiva), sem assentar na dependência e no pequeno favor. Uma tarefa que se conjuga com a programação e implementação do próximo ciclo de financiamento europeu. Algo que não pode implicar nem mais do mesmo, nem dos mesmos. Chamemos-lhe uma Nova Autonomia.