Nova ronda de mísseis de Teerão contra Israel, Kuwait, Bahrein e Jordânia
Os Guardas da Revolução iranianos anunciaram hoje ter disparado mísseis em direção a Israel, Kuwait, Bahrein e Jordânia, noticiou a televisão estatal Irib.
De acordo com a mesma fonte, foram visadas várias posições no norte e centro de Israel, incluindo Telavive, bem como duas bases militares utilizadas pelos Estados Unidos no Kuwait, uma no Bahrein e outra na Jordânia.
O ataque foi realizado com "mísseis de precisão de combustível líquido e sólido, além de drones de ataque", ainda de acordo com a mesma fonte.
Entretanto, a autoridade da aviação civil do Kuwait anunciou hoje que um depósito de combustível do aeroporto internacional do emirado se incendiou após ter sido atacado por drones.
"Segundo as primeiras informações, os danos limitam-se a prejuízos materiais e não há vítimas", escreveu a autoridade na rede social X.
Horas depois, o exército kuwaitiano indicou que o país voltou a ser alvo de ataques com mísseis e drones. Na vizinha Arábia Saudita, o Ministério da Defesa anunciou a interceção de pelo menos quatro drones.
O aeroporto do Kuwait tem sido repetidamente visado desde o início da guerra entre o Irão, Israel e os Estados Unidos, a 28 de fevereiro. No dia 14 de março, drones danificaram o sistema de radar do aeroporto, dois dias após um ataque semelhante que provocou estragos materiais.
Em resposta à ofensiva israelo-americana, o Irão multiplicou, nas últimas semanas, ataques contra bases militares, infraestruturas energéticas e outros alvos nos países vizinhos do Golfo, afirmando visar apenas interesses norte-americanos na região.
As autoridades do Golfo e o comando militar norte-americano para o Médio Oriente (Centcom) contabilizam 36 mortos na região desde o início da guerra, incluindo 17 civis.
O Conselho dos Direitos Humanos da ONU reúne-se hoje de emergência para debater os ataques iranianos e o impacto nos direitos humanos.
"O nosso país não é parte do conflito armado e não participou em qualquer agressão ou ataque militar", declarou na terça-feira o embaixador do Bahrein, Abdulla Abdullatif Abdulla, perante o Conselho.
"Estes ataques iranianos visaram civis e infraestruturas civis, causando numerosas vítimas inocentes", acrescentou.
Sete países da região (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Kuwait, Omã e Qatar) apresentaram um projeto de resolução que será submetido a votação pelos 47 membros do Conselho.
O texto condena "com a maior firmeza os ataques odiosos" do Irão, denuncia as ações de Teerão para bloquear o estreito de Ormuz e manifesta "graves preocupações" face às ofensivas contra infraestruturas energéticas.
A resolução exige que o Irão "cesse todos os ataques não provocados" contra os Estados do Conselho de Cooperação do Golfo e a Jordânia e que "forneça reparação integral por todos os prejuízos e danos causados por atos ilícitos internacionalmente ilegais". O texto não menciona Israel nem os Estados Unidos.
Em resposta, o representante iraniano no Conselho afirmou que a proposta "ignora deliberadamente a guerra de agressão em curso contra o Irão, conduzida pelos regimes norte-americano e israelita".