Moção defende que partido tem que deixar o "nim" e não ser apenas parceiro do PSD
Uma moção setorial ao Congresso do PS lamenta que o partido esteja em "cima do muro do 'nim'" e numa posição indecisa, considerando ser preciso "sacudir a imagem de parceiro parlamentar do Governo" e afirmar os socialistas como alternativa.
Intitulada "Socialismo com futuro", esta moção que vai ser discutida no 25.º Congresso Nacional do PS, que decorre entre sexta-feira e domingo em Viseu, tem como primeiro subscritor o deputado Miguel Costa Matos, seguido pelo dirigente Pedro Costa, sendo ainda assinada por Álvaro Beleza (apoiante desde a primeira hora de António José Seguro), a líder da JS, Sofia Pereira, o deputado Hernâni Loureiro (antigo chefe de gabinete de Pedro Nuno Santos) ou o líder do PS/Porto, Nuno Araújo (diretor de campanha de das últimas legislativas).
"O PS tem de saltar de cima do muro do 'nim'. Na era das redes sociais que valoriza reações rápidas e firmes, não podemos passar dias para reagir politicamente a uma determinada matéria. Devemos fazê-lo de forma clara, expondo a nossa posição de forma que as pessoas se revejam", defendem os subscritores.
Para estes socialistas, as pessoas "respeitam uma posição moderada, sensata e realista", mas "não respeitam uma posição indecisa, cheia de 'ses', 'mas' e outros condicionalismos".
"O objetivo do PS deve ser liderar o país na prossecução da liberdade, da prosperidade, da justiça e da sustentabilidade. Isso implica afirmar-se como alternativa de Governo - e não relegar-se a parceiro de consensos e acordos com o PSD", defendem.
O alerta é para que o PS não entre "num beco sem saída" resultante da atual correlação de forças.
"O PS não deve nem endossar nem comprometer a estabilidade política, mas não deve também abdicar da clareza da sua oposição ou da audácia das suas ideias. É fundamental normalizar o funcionamento das instituições e não confundir o debate político com a rutura em direção a uma crise política", avisam.
Para estes subscritores, "a moderação não pode confundir-se com diluição" e, no texto que tem como segundo subscritor o seu filho, Pedro Costa, é citado o antigo primeiro-ministro e atual presidente do Conselho Europeu, António Costa.
"Parafraseando António Costa, se pensarmos como a direita pensa, não só acabaremos a governar como a direita, como seguramente deixaremos que esta governe como quer", pode ler-se.
Para estes socialistas, "a defesa do regime democrático exige um equilíbrio entre entendimento institucional e tensão política genuína".
"Sacudir a imagem de parceiro parlamentar do Governo é, por isso, um dever de responsabilidade de todos os socialistas", pedem.
A reflexão dentro do PS, de acordo com esta moção, "não pode ser evitada, suspensa ou condicionada", seja "pela unidade em torno do líder" seja "pelo frenesim imparável da conjuntura".
"Apenas dois anos após tomar posse pela primeira vez, o PSD enfrenta um desgaste acelerado. No entanto, esse desgaste não é automaticamente conversível em alternativa", avisam, antecipando que o "simples desgaste da AD não bastará para devolver o PS ao Governo".
Estes socialistas enaltecem ainda o trabalho que foi feito pelos governos de António Costa, mas não deixam de fazer a autocrítica do que não correu bem.
"Poderíamos ter usado mais da margem orçamental disponível para valorizar os rendimentos da classe média com reduções de impostos e mais acesso aos serviços públicos", exemplificam, considerando que se deveria ter "evitado descoordenações na transição do SEF para a AIMA" e que se devia "ter comunicado melhor".
Para estes subscritores,"reconhecer estes pontos não é exercício de autoflagelação", mas sim "condição de credibilidade" porque "só aprende quem reconhece" e "só lidera quem sabe ajustar".