Ataque russo em Lviv danifica igreja Património Mundial da UNESCO
Um ataque russo a Lviv, que feriu hoje 13 pessoas, incluindo três crianças, danificou edifícios no recinto de uma igreja que é Património Mundial da UNESCO, de acordo com as autoridades locais.
O ataque russo provocou um incêndio na parte superior de edifícios residenciais de três andares situados no recinto da igreja de Santo André, construída durante o século XVII, património reconhecido pela UNESCO desde 1998, segundo avançou o presidente da Câmara de Lviv, Andri Sadovi.
A cidade ucraniana de Lviv fica situada a cerca de 70 quilómetros da fronteira com a Polónia.
Segundo o chefe da administração militar regional de Lviv, Maksym Kozytsky, um complexo do século XVII situado no centro da cidade ficou danificado.
Um vídeo publicado por Maksym Kozytsky na plataforma Telegram, geolocalizado pela agência de notícias France-Presse (AFP), mostra chamas a sair do telhado de um edifício de dois andares, por cima de varandas onde secam roupas, junto à igreja de Santo André.
Noutro vídeo publicado por um meio de comunicação social local, é possível ver socorristas à espera na igreja, pedindo aos civis que se afastem da porta.
"A Rússia está a atacar um centro urbano movimentado em plena luz do dia", reagiu a primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Sviridenko, na rede social X, face ao ataque com drones de conceção russo-iraniana.
A chefe do Governo salientou que "apenas a força, sanções inflexíveis e ações decisivas podem deter a Rússia".
"A Rússia atacou brutalmente o centro de Lviv, uma cidade de valor cultural excecional e Património Mundial da UNESCO", sublinhou, por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Andriy Sybiga, num comunicado.
Sybiga exortou o diretor-geral da UNESCO, Jaled al-Anani, "a responder imediatamente ao crime e a adotar uma posição clara".
Segundo a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou mais de mil drones contra a Ucrânia nas últimas 24 horas, após uma onda de ataques diurnos de uma magnitude rara.
Os ataques russos provocaram hoje pelo menos quatro mortos e deixaram 35 feridos, indicaram as autoridades ucranianas.
A Rússia levou a cabo "um dos ataques mais massivos contra a Ucrânia" com "556 drones de ataque" lançados entre as 09:00 e as 18:00 locais, que se somam aos 392 drones e 34 mísseis enviados durante a noite, indicaram as forças ucranianas.
A Rússia já tinha disparado 23 mísseis de cruzeiro e sete mísseis balísticos contra a Ucrânia durante a noite, atingindo pelo menos 10 locais em todo o país, relatou a Força Aérea.
Os ataques prosseguiram durante o dia em várias regiões do país, incluindo na capital, Kiev.
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um 'think tank' (grupo de reflexão) sediado em Washington que monitoriza as evoluções do campo de batalha desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, considerou na segunda-feira que a ofensiva russa de primavera-verão já está em curso.
Moscovo intensificou os seus ataques a partir de 17 de março e deslocou equipamento pesado e mais tropas para a linha da frente, segundo o ISW.