Estudantes exigem gratuitidade no ensino superior e mais alojamento
Largas centenas de estudantes universitários de todo o país manifestam-se hoje em Lisboa pela gratuitidade no ensino superior, melhores bolsas e mais alojamento.
No dia nacional do estudante, que hoje se assinala, mais de 50 estruturas do Movimento Associativo Estudantil (MAE) de diferentes zonas do país, entre associações de estudantes, associações académicas, núcleos, grupos académicos, tunas e comissões de residentes, participam na manifestação que começou no Rossio e vai terminar em frente à Assembleia da República.
"Queremos um ensino superior para todos e cada vez há menos estudantes a entrar no ensino superior e os mais pobres são mais suscetíveis e não conseguem entrar", disse à Lusa o porta-voz da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, uma das organizadoras da manifestação, Vasco Josué.
Cerca de 45 mil alunos ficaram este ano colocados numa instituição de ensino superior através do concurso nacional de acesso, que mostrou que há menos cinco mil caloiros do que no ano anterior, segundo os resultados da última fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior.
Vasco Josué defendeu ainda a gratuitidade das propinas, referindo que a sua bolsa é insuficiente e que sobram apenas 20 euros e pouco para a alimentação.
O protesto junta esta tarde largas centenas de estudantes de várias zonas do país e entre os cartazes destacam-se as frases: "com as residências da FCT[ Faculdade de Ciências e Tecnologias] por abrir, onde vamos dormir?" e a "Educação é um direito".
A incerteza em poder continuar na universidade devido à falta de alojamento também foi destacada por manifestantes, como Violeta Gregório, de 21 anos, aluna na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha.
"Eu sou estudante deslocada e nas Caldas da Rainha não há nem de longe nem de perto residências suficientes e camas suficientes para todos", disse Vitória Gregório à Lusa.
Vitória Gregório é trabalhadora-estudante e disse que todos os semestres tem de avaliar se pode continuar a estudar no ensino superior.
Durante a manifestação ouviram-se ainda tambores e gritos como " Ação social não existe em Portugal" e "bolsas sim propinas não!".
Presente no protesto, Idalgízio Gomes, aluno de engenharia eletrotécnica e de computadores do Instituto Politécnico de Cávado e do Ave, defendeu que a falta de alojamento é um dos principais problemas do ensino superior.
Segundo o aluno, em Barcelos, onde fica o instituto, está a ser construída uma nova residência há três anos, considerando que o problema da falta de alojamento se está a agravar.
Na manifestação estiveram presentes estudantes do norte ao sul do país, como referiu à Lusa o presidente da federação académica de Lisboa, Pedro Neto Monteiro, que apelou a uma maior representatividade dos estudantes no âmbito do regime jurídico das instituições de ensino superior para que "possam ter mais voz".
No mesmo dia em que os estudantes defendem o fim das propinas, gritando "propinas dói" o ministro da Educação, Fernando Alexandre, voltou a defender um aumento do valor das propinas no ensino superior.
Por volta das 16:40, no final da manifestação os estudantes concentram-se em frente à Assembleia da República, muitos também com cravos vermelhos como referência ao 25 de abril, onde foi feito um apelo ao Governo para que não gaste dinheiro em guerras, mas sim no ensino.
Em 1987, a Assembleia da República Portuguesa declarou o dia 24 de março como o Dia Nacional do Estudante.