ONU alerta que a violência "está pior do que nunca"
A violência da guerra na Ucrânia está agora "pior do que nunca", alertou hoje a ONU, frisando que 188 civis foram mortos e 757 feridos em fevereiro, um aumento de 45% face ao período homólogo de 2025.
Numa reunião do Conselho de Segurança sobre a Ucrânia, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, fez um balanço do impacto desta guerra, indicando que, desde fevereiro de 2022, as Nações Unidas verificaram que 15.364 civis, incluindo 775 crianças, foram mortos na Ucrânia.
Outros 42.144 civis, incluindo 2.588 crianças, ficaram feridos, sendo que o número real de vítimas é provavelmente significativamente superior, disse DiCarlo.
Os relatórios da ONU indicam também um aumento dos ataques russos contra caminhos-de-ferro e outras infraestruturas de transporte na Ucrânia.
Além disso, durante o inverno, os danos nas infraestruturas energéticas da Ucrânia levaram a rede elétrica do país à beira do colapso total.
De acordo com as autoridades ucranianas, citadas hoje pela ONU, 60% da capacidade de produção de gás foi destruída e todas as centrais elétricas do país foram danificadas pelos ataques russos, causando interrupções persistentes no fornecimento de eletricidade, aquecimento e água em todo o país.
"As reparações no setor energético, quando possíveis, levarão tempo e exigirão apoio internacional conjunto", salientou a representante da ONU.
A Federação Russa também relatou ataques ucranianos que afetaram civis e infraestruturas civis. Contudo, as Nações Unidas não podem verificar estes relatos "devido à falta de acesso e à limitada informação pública", sublinhou Rosemary DiCarlo.
A juntar a tudo isto, a atividade militar perto das instalações nucleares da Ucrânia, incluindo a Central Nuclear de Zaporijia, continua, "com consequências potencialmente devastadoras", advertiu a subsecretária-geral.
De acordo com a ONU, existem mais de 6,7 milhões de refugiados ucranianos em todo o mundo. Mais de 3,7 milhões de pessoas estão deslocadas dentro da Ucrânia.
Nesse sentido, a ONU elogiou os países que ainda acolhem milhões de refugiados ucranianos pelo seu apoio contínuo.
"Saudamos o alargamento das medidas de proteção pela União Europeia até março de 2027, reconhecendo que as condições ainda não são propícias a regressos em grande escala", disse DiCarlo.
É também necessário apoio internacional a longo prazo para a recuperação e reconstrução da Ucrânia.
Os danos totais da guerra atingiram um valor estimado de 195 biliões de dólares (167,7 mil milhões de euros), avançou hoje a ONU, acrescentando que a Ucrânia necessitará de 588 biliões de dólares (505,6 mil milhões de euros) na próxima década para a recuperação e reconstrução.
Da mesma forma, será necessária uma assistência substancial para livrar a Ucrânia das minas e das munições não detonadas.
A escala da contaminação por minas no país é uma das maiores a nível mundial, uma vez que aproximadamente 132.076 quilómetros quadrados de terreno permanecem potencialmente contaminados por riscos explosivos, apesar dos progressos na limpeza, apontou a ONU.
Na reunião de hoje, DiCarlo defendeu igualmente um ajuste de contas pelas atrocidades perpetradas durante a guerra.
As conclusões da Comissão Independente de Inquérito sobre a Ucrânia, apresentadas a 12 de março, indicam que "as autoridades russas cometeram crimes contra a humanidade, como a deportação e a transferência forçada, bem como o desaparecimento forçado, ambos tendo como alvo crianças".
"Todas as crianças deportadas devem regressar a casa sem demora. Os seus direitos e identidade devem ser totalmente protegidos", apelou a subsecretária-geral da ONU.
No encontro de hoje, convocado pela Dinamarca, França, Grécia, Letónia e Reino Unido, participou também o líder humanitário da ONU, Tom Fletcher, que destacou que o conflito na Ucrânia é cada vez mais caracterizado pela utilização de tecnologias avançadas.
Fletcher deu como exemplo um ataque ocorrido em 20 de março, contra uma equipa humanitária na região de Donetsk que retirava idosos de um local.
O ataque com um drone matou duas pessoas e feriu outras duas, apesar da carrinha de evacuação estar claramente identificada com o logótipo da organização humanitária.
"Deve haver uma investigação, responsabilização e medidas práticas, incluindo um diálogo próximo, para garantir que isto não se repete", apelou.