Até quando aguentará o Mundo a força bruta?

Não podemos ignorar que o regime iraniano reprime sistematicamente o seu próprio povo, silencia as vozes dissidentes e atropela os direitos fundamentais, especialmente os das mulheres. Esta teocracia é, reconhecidamente, um dos principais motores da instabilidade regional.

Todavia, a escalada de violência no Irão a que temos assistido parece não ter fim e, mais grave ainda, carece de qualquer propósito estratégico ou horizonte diplomático. Os EUA a reboque dos israelitas estão a fazer um exercício de pura projecção de poderio bélico; querem reafirmar uma hegemonia global à custa de uma instabilidade sem precedentes. Não lhes importa a destruição sistemática e o custo humano, pois encontram-se subjugados a interesses geopolíticos de curto prazo.

Este conflito tem mostrado a paralisia das instituições que deveriam zelar pela ordem global. A ONU, limitada a uma retórica de condenação sem efeitos práticos, mostra-se incapaz de travar a matança de civis. Por outro lado, a NATO está comprometida com a lealdade aos seus aliados e o receio de uma conflagração de escala mundial, aposta num silêncio calculista e um equilíbrio precário.

Esta crise mostra que a política de factos consumados de Trump e Netanyahu, tornou obsoleta a ordem internacional e o que resta do seu futuro. As instâncias de mediação, como a ONU não são capazes de travar esta força bruta. Até quando poderá o mundo aguentar?

Carlos Oliveira