Alemanha afasta possibilidade de participar na guerra
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, afastou hoje categoricamente a possibilidade de participação da Alemanha numa guerra contra o Irão.
Em entrevista à rádio Deutschlandfunk, Johann Wadephul especificou que a Alemanha não tem bases militares na região e que o Governo da Alemanha não tem qualquer intenção "de participar de forma alguma numa guerra".
O ministro alemão referiu-se à declaração divulgada no domingo pelo designado bloco E3, segundo a qual os três países membros --- França, Reino Unido e Alemanha --- ponderariam tomar medidas para destruir a capacidade do Irão de lançar mísseis e aparelhos aéreos não tripulados (drones) para defender os próprios interesses e dos países aliados de Berlim no Médio Oriente.
Johann Wadephul sublinhou que cada Estado interpreta a declaração "à sua maneira".
Por outro lado, o chefe da diplomacia do Governo de Berlim alertou que o ataque com drones contra uma base militar britânica no Chipre demonstrou a disponibilidade de Teerão para intensificar o conflito.
A este propósito, lembrou que o Reino Unido, ao contrário do que se verificava anteriormente, vai disponibilizar as bases na região aos Estados Unidos.
Para Berlim, caso os soldados alemães destacados na região do Golfo --- cerca de 500, segundo fontes do Ministério da Defesa de Berlim --- sejam atacados, serão protegidos, mas não vão ser tomadas quaisquer outras medidas.
"Não há margem para manobras (...) Não participaremos nisso", afirmou Wadephul enfatizando a importância de se realizar uma avaliação da situação política e das questões relacionadas com a segurança.
Para a diplomacia alemã, o Irão representa "um perigo considerável não só para Israel e para a região, mas também para a Alemanha e para a Europa".
Wadephul disse que os ataques norte-americanos e israelitas visaram destruir tanto a capacidade de fabricação de uma bomba atómica como o programa de mísseis balísticos, e observou que, até à data, o Irão não demonstrou qualquer vontade de negociar "seriamente" sobre a questão.
"Se as atividades deste regime forem interrompidas de tal forma que, pelo menos, já não possa agir contra nós, como fez no passado, então a nossa segurança aqui na Alemanha vai aumentar, e isso, para mim, é um fator decisivo", disse Wadephul.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha acusou ainda o Irão de apoiar a Rússia com drones na guerra contra a Ucrânia, assino como provoca instabilidade na região do Médio Oriente com o apoio ao Hezbollah (Partido de Deus), no Líbano; ao movimento palestiniano Hamas e às forças houthis no Iémen.
O membro do Governo da Alemanha acrescentou que "não se pode ignorar" que Teerão é "um regime que sempre esteve determinado a agir contra a Europa e que "também representa uma ameaça terrorista na Alemanha".