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Madeira

João Borges, o “tratador” do relógio da Sé nos anos 50

‘Canal Memória’ ruma a 2007

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Corria o ano de 2007 quando o relógio da Sé avariou. O DIÁRIO foi então escutar João Borges que, nos anos ’50, foi o “tratador” desse mesmo relógio e que contou que este sempre teve os seus “amuos”.

João Borges recordou que foi chamado pela Câmara do Funchal, nos anos de 1950, pois a autarquia estava ‘farta’ das constantes falhas e até o Re-nhau-nhau’, jornal satírico da época, não perdoava e dava como título ‘O relógio da Sé está a dar bêberas’.

Segundo explicou, o relógio de que tratava tinha sido oferecido pelo inglês Walter Grabhan. Desde pequeno. João Borges demonstrava ter jeito para consertar coisas e, por isso, mais tarde, abriu a relojoaria Big Ben. O madeirense consertava a maquinaria do laboratório distrital, consertava a maquinaria do instituto meteorológico, consertava os binóculos da empresa baleeira. “Até chegou a fazer um estudo sobre a anatomia do tempo”, indicava o DIÁRIO.

Na altura, João Borges, cansado das críticas às falhas do relógio, decidiu comprar um rádio, por forma a sintonizar o sinal horário da WWV. “Deu-me mania do relógio da Sé e consegui com que a primeira badalada das horas correspondesse ao segundo exacto e à primeira badalada do Big Ben de Londres”, contou ao DIÁRIO em 2007.

Mas houve quem o criticasse e dissesse que o relógio estava três segundos atrasado. Afinal, o crítico vivia em Santa Luzia e o lapso temporal correspondia ao tempo que o som demorava a chegar.

João Borges conseguiu fazer com que o relógio andasse ‘certinho’, mas de vez em quando continua a ‘amuar’, como todas as máquinas.