Dia da Poesia e de Paz
Disputa hoje se levanta em juízo
Esquerda ou direita faz paz ou guerra
Vem da ciência pura ou prejuízo
Do fazer bem ou das seitas na berra?
Ciência pura não tem coração
Opiniões partem-se em bocados
Filosofar é som de buzinão
Odiar, vingar, faz estilhaçados.
Sem bem-fazer, lei, Pai: solidão
Cega, ateia, com deuses em guerra,
Todos injustos, todos sem razão:
Matam inocentes em toda a terra.
Só Pai Nosso dará paz, se lha pedem,
Muda ódio em luz e raiva em amor
Aos que o seu Espírito intercedem
Faz passar do infernar ao fulgor.
Terror, drama, tragédia e abismos
De crianças, mães, esposas que choram
Montes de mortos, ruínas, sismos
Ruas de casas desfeitas apavoram.
Guerras esmagam abrigos de gente
Em batalhas de matar e morrer
Sirene alarma: ribombo ingente
Lamentos e choros de estarrecer.
Donde a guerra e a paz dos trigais?
Guerras tantas a matar e entristecer
Explodem em ruínas infernais
Medrosa a paz, tarda em aparecer.
Silêncio! Voz se ouve, e Bem acalma
Silêncio! Recebei minha Paz
Que o Mal no coração vil desarma
E o abraço de Amor torna capaz.
Aires Gameiro