Mais de 400 famílias afectadas pelas inundações no distrito moçambicano de Malema
Mais de 400 famílias foram afetadas pelas inundações provocadas pela chuva das últimas semanas, que destruíram centenas de casas no distrito de Malema, na província de Nampula, norte de Moçambique, avançaram ontem as autoridades locais.
Segundo o administrador do distrito de Malema, Bernardino Paulo, a chuva que se regista nas últimas semanas, em quase todo o país, destruiu mais de 500 casas, afetando mais de 400 famílias naquele município, há mais de 200 quilómetros da capital Nampula, na província com mesmo nome ao norte de Moçambique.
"Temos muitas casas de construção precária, então, neste momento temos mais de 500 casas destruídas. Felizmente, estamos a receber o apoio do INGD [Instituto Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres], que está a ajudar a população vítima destas inundações", disse Bernardino Paulo, citado ontem pela comunicação social.
O governante assegurou ainda a evacuação da zona e alojar as famílias em centros de acolhimento ativos nos bairros vizinhos.
Com a chuva que cai nas últimas semanas, acrescentou, há muitas terras agrícolas que estão a passar mal, avançando, entretanto, o distrito estar a preparar a segunda época agrícola para ver se conseguem recuperar a produção.
Acrescentou que as inundações afetaram também a transitabilidade no troço entre Malema, em Nampula, e Cuamba, na Província do Niassa, parte da Estrada Nacional 13 , no norte.
Segundo Bernardo Paulo, a chuva cortou a estrada no Posto Administrativo de Iricantla, na província de Nampula, garantindo estar em curso trabalho para restabelecer a via.
O Governo moçambicano alertou hoje que várias bacias hidrográficas do país continuam sob risco de cheias, apesar da aproximação do fim da atual época chuvosa, que afetou quase 900 mil pessoas, pedindo o cumprimento rigoroso das recomendações.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 279, havendo também 11 desaparecidos e 340 feridos, com quase 900 mil pessoas afetadas desde outubro, segundo atualização de 17 de março do INGD.
Só as cheias de janeiro provocaram, em todo o país, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando 715.716 pessoas.
Um total de 15.898 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.305 totalmente destruídas e 187.262 inundadas, na presente época chuvosa. Ao todo, 303 unidades de saúde, 84 locais de culto e 722 escolas foram afetadas em cinco meses e meio.
Os dados do INGD indicam ainda que 267.205 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 342.227 agricultores, e 531.058 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.
Foram ainda afetados nesta época das chuvas 7.612 quilómetros de estradas, 45 pontes e 261 aquedutos.
Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 155 centros de acomodação, que chegaram a albergar 114.734 pessoas, dos quais 25 ainda estão ativos (mais cinco na última semana, devido às recentes inundações), com pelo menos 6.760 pessoas, além do registo de 6.931 pessoas que tiveram de ser resgatadas.