Carlos Gonçalves critica perda de coordenação regional da educação artística
Carlos Gonçalves defendeu que a coordenação dos professores de educação artística deve voltar a ter uma estrutura regional centralizada, alertando que a excessiva autonomia das escolas pode comprometer a coerência de um projecto que nasceu com dimensão regional.
A posição foi expressa durante a mesa redonda dedicada aos “50 anos da Autonomia e o impacto na Educação na Madeira”, integrada no congresso de Educação Artística.
Segundo o antigo presidente do Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira, o projecto de educação artística criado em 1980 foi pensado como um modelo regional e não como iniciativas isoladas de cada escola.
“Este projecto foi criado como um projecto regional e não como um projecto local de cada escola”, afirmou.
Para Carlos Gonçalves, a centralização da coordenação permitiu construir um modelo sólido que chegou a ser apresentado em congressos europeus e internacionais como exemplo de boas práticas.
O docente alertou que, quando a organização depende apenas da gestão de cada escola, as artes podem ficar condicionadas pelas prioridades das direções escolares.
“Se a direção da escola gosta das artes, elas são implementadas. Se não gosta, diz que é melhor apostar na matemática por causa dos rankings”, referiu.
Na sua opinião, essa visão ignora a importância da educação artística para o desenvolvimento global dos alunos, incluindo o desempenho em áreas consideradas centrais no sistema educativo.
“A música é muito importante para o desenvolvimento da capacidade intelectual”, sublinhou.
Por isso, considera essencial reforçar o papel da Direção de Serviços de Educação Artística na coordenação regional do trabalho desenvolvido nas escolas.
Carlos Gonçalves defendeu ainda a necessidade de manter uma forte aposta na formação contínua de professores, lembrando que o ensino artístico exige atualização permanente de conhecimentos e metodologias.
“Eu tenho 71 anos e continuo a aprender todos os dias”, afirmou, defendendo uma atitude permanente de aprendizagem ao longo da carreira docente.