DNOTICIAS.PT
Madeira

Carlos Gonçalves destaca democratização da educação artística

None
Foto Rui Silva/ Aspress

O antigo presidente do Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira, Carlos Gonçalves, destacou a profunda transformação registada na educação artística na Região ao longo das últimas décadas, sublinhando que o ensino da música deixou de estar limitado a poucos alunos do Funchal para passar a chegar a crianças de toda a Madeira.

Falando na mesa redonda dedicada aos “50 anos da Autonomia e o impacto na Educação na Madeira”, integrada no congresso de Educação Artística que decorre este fim de semana, o antigo responsável recordou que, no início da década de 1980, apenas cerca de duas centenas de alunos frequentavam o Conservatório.

“Em 1980, as únicas crianças que tinham acesso à música eram aquelas que frequentavam o conservatório, no Funchal. Na prática, apenas os meninos do Funchal e com algumas posses conseguiam aprender música”, lembrou.

A mudança começou, explicou, com a criação do projecto de educação artística no ensino genérico, que levou o ensino da música para dentro das escolas básicas da Região.

Através desse modelo, professores passaram a trabalhar directamente nas escolas do ensino básico, permitindo que todas as crianças, independentemente da condição económica das famílias, tivessem contacto com a aprendizagem musical.

O impacto dessa estratégia é hoje visível na dimensão do Conservatório, que conta actualmente com cerca de dois mil alunos.

“Em 1980 o conservatório tinha pouco mais de 200 alunos. Hoje tem cerca de dois mil”, referiu Carlos Gonçalves, salientando que este crescimento acontece mesmo num contexto de diminuição da população escolar.

Para o antigo presidente da instituição, o aumento do número de estudantes é resultado directo do trabalho desenvolvido nas primeiras etapas da escolaridade.

“Está a reduzir o número de crianças, mas o conservatório continua a crescer. Isso mostra o impacto do trabalho feito no pré-escolar e no primeiro ciclo, semeando talentos que depois seguem para o conservatório e até para uma carreira artística”, observou.

Carlos Gonçalves lançou ainda o desafio de realizar um estudo sobre os 50 anos da educação artística na Madeira, com o objectivo de avaliar de forma aprofundada os impactos deste modelo no desenvolvimento cultural e educativo da Região.