PR preocupado com descargas de barragens pede que se evite correr riscos
O Presidente da República manifestou-se hoje preocupado com a possibilidade de mais inundações provocadas pelo regresso de chuva forte e por descargas de barragens espanholas e portuguesas e pediu aos cidadãos que evitem correr riscos.
"Esse é o grande desafio, hoje, estar-se a tempo e prevenir-se onde é possível para a eventualidade de amanhã, sábado, poder haver uma subida do nível das águas. Vamos ver até onde isso vai. Tudo está preparado em termos de prevenção, em termos de acorrer às necessidades mais urgentes", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, em Abrantes, no distrito de Santarém.
O chefe de Estado apelou aos cidadãos que evitem a "travessia de zonas de risco em termos de inundação", alertando que em breve pode voltar a chover "em termos significativos" e que pode haver "a descarga de barragens quer espanholas quer portuguesas -- porque algumas delas estão a 100%, a 90 e tal por cento".
Interrogado se falta pensamento estratégico para o futuro, o Presidente da República respondeu que ficou satisfeito com as medidas anunciadas na quinta-feira pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, para fazer face aos efeitos das recentes tempestades.
"Porque era muito importante, depois do anúncio do plano, mostrar que o plano estava a ser executado, ia ser executado, porque o plano é um papel, o plano é um documento, e uma coisa é o documento, outra coisa é a pessoa sentirem no seu bolso, sentirem nas suas casas, sentirem na sua vida", argumentou.
Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou, no entanto, que a recuperação "é sempre muito mais longa do que as medidas de curto prazo" e defendeu que no futuro "a prevenção e a resposta têm de ser mais exigentes, mais completas, preparadas com mais tempo", porque as situações de risco estão cada vez mais difíceis, mais complicadas".
"Isso é uma lição que todos estamos a aprender todos os dias, e que significa que de cada vez que intervém a Proteção Civil é melhor que da última vez, mas na seguinte tem de ser melhor do que desta vez, porque os desafios vão ser cada vez mais graves", reforçou.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também centenas de feridos e desalojados, corte de energia, água e comunicações.
Na quinta-feira, o Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro, abrangendo 68 concelhos, e anunciou novas medidas, entre as quais um regime excecional e experimental para acelerar a reparação urgente e reconstrução de casas, sem controlo administrativo prévio.