Seguro só aceita adiamentos "dentro do quadro legal e constitucional"
O candidato presidencial António José Seguro considerou hoje essencial que as eleições se realizem no domingo, afirmando que só aceitará adiamentos "dentro do quadro legal e constitucional".
"Eu sempre estive disponível para que se encontrem soluções que favoreçam os portugueses dentro do quadro legal e constitucional do nosso país", respondeu aos jornalistas à saída de uma ação de campanha em Lisboa quando questionado sobre a proposta de André Ventura para adiar por uma semana a segunda volta das eleições presidenciais devido aos efeitos do mau tempo.
Questionado sobre se esta proposta do seu opositor está dentro desse quadro legal, Seguro recusou-se a fazer "comentários sobre coisas tão relevantes".
"Aquilo que eu considero essencial é que as eleições se realizem e que todos os portugueses possam ter a possibilidade de votar. Aliás, já houve portugueses que votaram na semana passada, no domingo, e portanto não vejo nenhum problema que, para além dos votos que vão poder-se realizar este domingo, também possa haver, nos concelhos em que os presidentes de Câmara entendam, que não há condições agora de fazer essas eleições no domingo a seguir", defendeu.
De acordo com o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais, são "as autoridades portuguesas que têm que se pronunciar" sobre adiamentos.
"Eu sou um mero cidadão que se candidata a Presidente da República", sintetizou.
Questionado sobre se André Ventura lhe tinha ligado a fazer esta proposta, Seguro respondeu: "eu não tenho o número dele, presumo que ele também não tenha o meu número".
À pergunta se não antevê que terá que incluir o número do líder do Chega na sua lista telefónica, o candidato presidencial disse que "com certeza a Casa Civil tratará disso".
Sobre se entendia nesta proposta de Ventura uma manobra, o ex-líder do PS escusou-se a fazer mais comentários.
"Estamos a falar de uma coisa muito séria, de eleições", disse apenas, insistindo que "há um quadro legal e um quadro constitucional" e que remete para as autoridades todas as decisões.
O candidato André Ventura, apoiado pelo Chega, defendeu hoje o adiamento por uma semana da segunda volta das eleições presidenciais, considerando não haver condições para o ato eleitoral devido aos efeitos do mau tempo.
"Eu vou propor hoje e vou propor ao outro candidato e ao Presidente da República e aos vários poderes municipais que, por uma questão de igualdade de todos os portugueses, que se adie uma semana o ato eleitoral", anunciou num almoço com autarcas do Chega, no Algarve.
O candidato presidencial defendeu que, face aos efeitos do mau tempo, não há "condições de ter eleições marcadas e disputadas neste contexto".
"Metade do país a votar e outra metade a não votar? Isto faz algum sentido?", defendeu.