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Poder de compra das famílias vai ser o "travão" da habitação

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O presidente executivo (CEO) da Century 21 Portugal, Ricardo Sousa, afirmou hoje que "o poder de compra das famílias vai ser o travão" do mercado habitacional em 2026, durante uma conferência sobre imobiliário.

Antecipando que as transações de imóveis no primeiro trimestre do ano vão ser inferiores às registadas em igual período do ano passado, Ricardo Sousa considerou que o ano vai ser "desafiante", caracterizando-se por um provável "ajuste nas vendas".

Falando numa conferência organizada pelo Diário Imobiliário, o administrador do 'site' Doutor Finanças, Bruno Coelho, concordou que os rendimentos das famílias portuguesas "não acompanham os preços" das casas que, segundo afirmou, deverão continuar em alta.

"Apesar de se manter o acesso ao crédito, haverá contração do volume de transações em 2026", disse ainda.

Para o consultor e promotor da Laplace, André Casaca, a redução do IVA na construção de 23% para 6%, anunciada no pacote legislativo do Governo para aumentar a oferta de habitação, "não vai trazer preços mais baixos" neste segmento de mercado.

Acrescentou que a garantia pública dada aos jovens e a redução do IMT na compra da primeira habitação, duas medidas lançadas pelo atual Governo, "conduziram a movimentos especulativos nos preços".

Já o presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), Hugo Santos Ferreira, admitiu que o Governo vai provavelmente "vacilar em algumas matérias" durante o debate na especialidade das medidas de desagravamento fiscal para aumentar a oferta de habitação, que está a decorrer no parlamento.

Santos Ferreira apelou ao setor para "se unir", de forma a não deixar passar "uma oportunidade única para resolver" os problemas do setor imobiliário.