Guterres condena ataques militares e pede fim das hostilidades
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou hoje os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão e as retaliações iranianas, argumentando que a situação põe em causa a segurança internacional, e apelou ao fim imediato das hostilidades.
"Condeno a escalada militar de hoje no Médio Oriente", afirmou Guterres numa mensagem publicada nas redes sociais, acrescentando que "o uso da força por parte dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, e a subsequente retaliação iraniana em toda a região, minam a paz e a segurança internacionais".
Lembrando que todos os Estados-membros das Nações Unidas devem respeitar as obrigações impostas pelo Direito internacional, incluindo pela Carta da ONU, António Guterres referiu que este documento proíbe claramente "a ameaça do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qualquer outra forma incompatível com os propósitos das Nações Unidas".
Por isso, o líder da ONU apelou "à cessação imediata das hostilidades" e à diminuição das tensões na região sob pena de haver "um conflito regional mais vasto, com graves consequências para os civis e para a estabilidade regional".
Na mensagem, Guterres reiterou que "não existe alternativa viável à resolução pacífica dos litígios internacionais" e encorajou "veementemente todas as partes a regressarem imediatamente à mesa das negociações".
Os Estados Unidos e o Irão estiveram esta semana em Genebra, na Suíça, a discutir o programa nuclear iraniano, tendo marcado para a próxima semana em Viena mais "discussões técnicas".
No entanto, hoje, Washington e Telavive realizaram um ataque ao Irão, tendo atingido vários locais da capital, Teerão.
Segundo o exército israelita, dois dos alvos foram o líder supremo do Irão, o 'ayatollah' Ali Khamenei, e o Presidente do país, Masoud Pezeshkian que, segundo as autoridades iranianas, escaparam ilesos.
'Ayatollah' Khamenei e todos os líderes estão vivos
O Irão anunciou hoje que todos os líderes estavam vivos, incluindo o guia supremo, o 'ayatollah' Ali Khamenei, após informações de que teriam sido alvo dos ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel.
A edição em inglês do jornal israelita Ynetnews adiantou, no entanto, que o comandante da Guarda Revolucionária iraniana, Mohammad Pakpour, morreu nos ataques, embora Teerão negue.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos iniciaram "grandes operações de combate no Irão" e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo "eliminar uma ameaça existencial representada" pelo regime iraniano.
O Irão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e países vizinhos, como Arábia Saudita, Bahrein e Qatar.
Qatar condena ataque com mísseis iranianos e reserva direito de resposta
O Qatar condenou hoje um ataque com mísseis iranianos contra o país, depois de várias explosões terem sido ouvidas em Doha.