Bill Clinton respondeu a "todas as perguntas"
O presidente da comissão do Congresso que ouviu hoje Bill Clinton sobre os seus laços com o criminoso sexual Jeffrey Epstein celebrou o facto de o ex-presidente ter respondido a "todas as perguntas" que lhe foram feitas.
"Acreditamos que este depoimento foi muito produtivo e que o Presidente Clinton respondeu a todas as perguntas, ou pelo menos tentou respondê-las", disse o republicano James Comer.
A sua colega republicana Nancy Mace agradeceu ao ex-presidente por ter prestado depoimento, notando que o histórico político democrata deu respostas completas mesmo quando os seus advogados queriam que parasse de falar.
No entanto, Mace acrescentou: "Acho que vocês verão inconsistências em algumas das respostas" quando o vídeo e a transcrição do depoimento forem divulgados.
O depoimento de Bill Clinton terminou após mais de seis horas dentro do Centro de Artes de Chappaqua, uma vila do estado de Nova Iorque onde o casal Clinton reside e onde os testemunhos estão a decorrer.
Respondendo a perguntas de repórteres no final da sessão, James Comer admitiu ter planos para "trazer mais pessoas" para prestar depoimento sobre o caso Epstein.
"Esta é uma investigação séria. Continuaremos a tentar levar a verdade ao povo americano e fazer justiça às vítimas", disse Comer.
"Ainda não terminamos", garantiu.
Sobre a divulgação das transcrições dos testemunhos de Bill e Hillary Clinton - que por sua vez foi ouvida na quinta-feira -, o republicano afirmou que, primeiramente, a transcrição precisa de ser aprovada pelos advogados de "ambos os lados", conforme as "regras padrão" para depoimentos.
Acrescentou que espera proceder à divulgação das mesmas "nas próximas 24 horas".
O ex-presidente norte-americano Bill Clinton afirmou hoje perante uma comissão do Congresso que "não fez nada de errado" na sua relação com Jeffrey Epstein e que nunca presenciou sinais de abuso por parte do criminoso sexual.
"Não vi nada e não fiz nada de errado", afirmou o ex-presidente democrata (1993-2001) na sua declaração inicial perante a Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, no âmbito da investigação sobre o criminoso sexual e pedófilo Jeffrey Epstein, publicada na rede social X.
"Mesmo em retrospetiva, não vi nada que me tenha alertado", insistiu o ex-presidente perante a comissão dominada por congressistas republicanos.
Também reafirmou ter-se distanciado de Epstein mais de uma década antes da sua morte numa prisão federal em Nova Iorque em agosto de 2019.
O depoimento de Bill Clinton, que decorreu por videoconferência à porta fechada, acontece um dia depois da mulher e ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton ter sido ouvida pela mesma comissão.
É a primeira vez que um ex-chefe de Estado norte-americano é obrigado a depor perante uma comissão do Congresso.
Bill Clinton também não foi acusado de qualquer irregularidade, no entanto, os congressistas optaram por debater o que significa responsabilização nos Estados Unidos numa altura em que várias figuras a nível internacional foram destituídas dos respetivos cargos de alto nível por terem mantido ligações a Epstein, mesmo depois de o consultor financeiro e milionário ter sido declarado culpado em 2008 de acusações estaduais na Florida por aliciar uma menor para prostituição.