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Madeira

Uso digital exige consciência crítica

Isabel Fragoeiro alerta para riscos do excesso de tecnologia entre jovens

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Isabel Fragoeiro, presidente da Escola Superior de Saúde da Universidade da Madeira, destacou que o uso do smartphone e da internet está hoje no centro das preocupações sociais, sublinhando a importância de preparar os jovens para uma utilização consciente das ferramentas digitais. “Não podemos viver sem elas, mas é fundamental usá-las com adequação e com consciência dos riscos associados, sobretudo ao nível da saúde e da saúde mental”, afirmou.

A responsável alertou para os efeitos de um uso excessivo e pouco crítico das tecnologias, referindo que, em jovens a partir dos 14 ou 15 anos, uma utilização diária superior a três horas pode trazer dificuldades, ainda que sublinhe que não se trata de um limite rígido. Mais do que o tempo exacto, destacou a necessidade de desenvolver competências críticas que permitam distinguir conteúdos fiáveis, lidar com estímulos negativos, prevenir situações de assédio e evitar os efeitos da desinformação.

À margem do X Simpósio da Escola Superior de Saúde, Isabel Fragoeiro explicou que estas preocupações estão na base de um trabalho pedagógico desenvolvido de forma transversal ao longo dos quatro anos da licenciatura, através de uma metodologia activa que envolve fortemente os estudantes e a comunidade. Segundo a responsável, o projecto assenta num levantamento de necessidades e num diagnóstico da realidade, permitindo aos alunos intervir directamente em contextos reais.

No ciclo agora concluído, os estudantes trabalharam as questões do uso adequado do smartphone e da internet com alunos da Escola Profissional Francisco Fernandes, numa parceria que considerou fundamental para a promoção da literacia em saúde e do uso responsável das tecnologias digitais.

Isabel Fragoeiro salientou ainda que muitas plataformas digitais são concebidas para estimular o uso prolongado, podendo gerar comportamentos de dependência, o que reforça a importância de uma intervenção educativa precoce e continuada. Nesse contexto, defendeu um papel articulado da família, da escola e da sociedade no acompanhamento dos jovens.

“Não se trata de diabolizar os meios digitais, mas de aprender a usá-los. Tal como ninguém aprende a conduzir sem preparação, também o uso destas ferramentas exige educação, metodologias adequadas e o desenvolvimento de competências críticas que permitam aos jovens cuidar de si próprios e tirar o melhor partido da tecnologia”, concluiu.