Protecção Civil e rede eléctrica têm de ser analisadas com muita profundidade
O presidente da Câmara de Leiria defendeu hoje que a Proteção Civil e a rede elétrica nacional têm de ser analisadas com muita profundidade, na sequência da depressão Kristin que há três semanas atingiu o concelho.
"Há duas coisas que têm de ser analisadas com muita profundidade nos órgãos próprios e que têm de ter consequência daquilo que aconteceu: Proteção civil e rede elétrica nacional", afirmou aos jornalistas Gonçalo Lopes, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está o centro de operações municipal desde 28 de janeiro.
Para Gonçalo Lopes, "se o país não acorda para estas duas realidades, é porque anda a dormir".
"A Proteção Civil tem de ser alterada para um novo contexto nacional e europeu. Estamos num ambiente de guerra, temos fenómenos ambientais totalmente diferentes e temos de ter uma capacidade de resposta diferente", considerou, para salientar que tem de se ver "desde o primeiro minuto até ao fim da calamidade, pelo menos este período", onde é que se falhou, "quem é que tem voz de comando, quem é que aciona os meios e quem os gere".
"Não nos importamos de gerir os meios municipais, temos capacidade de o fazer, mas há outros municípios que não têm a nossa capacidade e tem de se olhar por eles. E se calhar podíamos ter feito muito mais, admito, e se calhar algumas coisas também nós errámos", reconheceu.
Sobre a rede elétrica nacional, referiu o problema na Autoestrada 1 (A1), na zona de Coimbra, para salientar que houve um problema na autoestrada da energia, que "não está a funcionar há três semanas", quando a depressão Kristin atingiu o concelho.
"As autoestradas da eletricidade têm de ter uma soberania e um controle do Estado português, não há volta a dar", defendeu, recordando a tempestade Leslie, em outubro de 2018, o apagão, em abril de 2025, e, em 28 de janeiro, a depressão Kristin.
Para o autarca, "ou há, de facto, um investimento na infraestrutura, no controle, no acompanhamento", ou o país está sujeito a que isto volte a acontecer.
"Portanto, Proteção civil e rede elétrica, estas duas coisas temos de aprender", declarou, assumindo que também tem de aprender outras coisas.
Neste caso, adiantou que há muita gente no concelho que "vive nos campos, vive da agricultura, há uma população idosa que está isolada" para as quais, "quando isto acontece", tem de haver uma "capacidade de resposta maior".
"Há sempre uma população mais distante, mais rural, que vive o seu dia a dia feliz com o pouco que tem. E quando há vendavais, eles perdem tudo e nós temos de ter uma resposta a essa população", declarou.
Defendendo que o município deve criar uma resiliência para este tipo de problemas, o presidente da Câmara defendeu a existência de um plano B que passa, por exemplo, por investir em equipamentos como geradores.
Segundo Gonçalo Lopes, à data de hoje estavam quatro mil clientes sem eletricidade no concelho.
Dezoito pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.