A Cidade

O Funchal, no seu centro, a sua rede viária e pedonal, estreita. Ela é o elo de mobilidade, serpenteando por entre edifícios antigos e modernos.

A cidade tem tido um significativo crescimento em equipamentos de mobilidade, em tipologia e quantidade: os novos veículos automóveis com maior volumetria, que preenchem as ruas e os estacionamentos; os motociclos, muitos, sinalizam a sua presença com a velocidade, e o excesso de ruído, que assusta e excede o limite da poluição sonora, o ziguezaguear entre automóveis, alguns até se exibem com alguma acrobacia; os tuk-tuk que ao seu ritmo procuram mostrar a cidade a muitos dos seus visitantes, as bicicletas, as trotinetes....

O que nos é dado a observar do comportamento de muitos dos que os utilizam?

A tecnologia sempre presente, o smartphone, a janela para o virtual, com os alucinantes estímulos dos algoritmos, da infinita informação, torna-nos ausentes do presente, do ambiente tangível, reduz ou elimina a nossa atenção, pelo que há o risco iminente de um acidente pessoal.

Muitos condutores, vemos, que tentam partilhar a sua atenção na conversação via telemóvel e na condução, evidência de que a segurança está em risco, dos próprios e de terceiros.

A tecnologia que torna visível a prevalência do indivíduo sobre o social.

Em vários locais vemos as bicicletas, trotinetes, que invadem os passeios e que serpenteiam por entre os peões. Um risco iminente de atropelar um peão.

A maioria dos passeios, em momentos de picos de mobilidade, o seu espaço preenche-se, e alguns peões têm de colocar um pé, ou os dois, na faixa para os automóveis, um risco de atropelamento.

Na mobilidade, todos competem, na urgência da sua progressão, o peão que logo pressiona o botão para a mudança de sinal do semáforo e o condutor que sinaliza a sua impaciência, através de gestos ou sonora.

A cidade apresenta sinais de pressão na sua mobilidade, há um risco iminente: muita da população envelhecida, com menos reflexos e agilidade, podem ser vítimas de acidentes.

Os eventos programados, em crescendo, e que condicionam a mobilidade em determinadas áreas, contribuindo para o aumento do congestionamento do tráfego já sob muita pressão.

“Na verdade caminhar ao encontro das cidades futuras, será sempre caminhar ao encontro das pessoas e tendo em conta as pessoas.” (José Tolentino Mendonça, “Ao encontro das cidades futuras”, 2020, Youtube, min: 01:03)

João Freitas