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Fact Check Madeira

Será que a Madeira é uma das regiões da UE com maior percentagem de engenheiras e cientistas?

Margarida Sousa, fundadora do Mitocys, o primeiro laboratório privado da Madeira especializado em análises clínicas veterinárias. Um exemplo de uma jovem madeirense que trabalha na ciência. FOTO HELDER SANTOS/ASPRESS
Margarida Sousa, fundadora do Mitocys, o primeiro laboratório privado da Madeira especializado em análises clínicas veterinárias. Um exemplo de uma jovem madeirense que trabalha na ciência. FOTO HELDER SANTOS/ASPRESS

Uma publicação feita há três dias na plataforma Reddit por um cidadão polaco congratula-se com o facto de o seu país ter uma elevada percentagem de mulheres na ciência e na engenharia. Mas refere que as percentagens mais elevadas de profissionais femininas nestas áreas técnicas foram sido registadas nas ilhas Canárias, Açores e Madeira.

Esta informação foi partilhada em várias redes sociais e suscita reacções antagónicas. Há quem aproveite para elogiar a posição destacada destas regiões ultraperiféricas no ranking. Também há quem descredibilize estes dados. “Nos Açores haverá umas 5 cientistas”, diz Henrique Centieiro na rede X. “Que absurdo do Eurostat! Dizem que nas Ilhas Canárias há 58,8% de mulheres cientistas e engenheiras. Sério? Aqui só há empregadas de quartos de hotel e 20% de desemprego”, avança um comentador espanhol. Afinal, as mulheres da Madeira e das outras ilhas atlânticas ocupam ou não um lugar destacado nas profissões ligadas à ciência e engenharia?

Na passada quarta-feira assinalou-se o Dia Internacional das Mulheres e Jovens na Ciência. Como é hábito, o Eurostat, entidade de estatísticas europeia, divulgou dados sobre esta data. Revelou, por exemplo, que o número de mulheres que trabalham como cientistas e engenheiras na UE tem aumentado – passaram de 3,4 milhões em 2008 para 5,2 milhões em 2014, atingindo 7,9 milhões em 2024.

Em todas as actividades económicas, as mulheres representavam 40,5% da força de trabalho de cientistas e engenheiros em 2024. Essa participação era maior no total de serviços intensivos em conhecimento (45,1%) e na categoria de serviços (45,0%). Na indústria de transformação, as mulheres representavam 22,4% dos cientistas e engenheiros, enquanto em outras actividades, essa participação era de 23,6%.

Entre os países da UE, a proporção de mulheres cientistas e engenheiras variou bastante em 2024, com as maiores percentagens a serem registadas na Letónia (50,9%), Dinamarca (48,8%), Estónia (47,9%), Espanha (47,6%) e Bulgária e Irlanda (ambas com 47,3%). A menor representação de mulheres cientistas e engenheiras foi registada na Finlândia (30,7%), seguida da Hungria (31,7%), Luxemburgo (32,4%), Eslováquia (33,6%) e Alemanha (34,6%).

Ao nível regional, o Eurostat constatou que as cientistas e engenheiras a maioria da força laboral em 11 regiões da União Europeia. Por ordem decrescente da presença das mulheres nessas áreas técnicas, a ordem é a seguinte: Canárias (58,8%), Madeira (56,4%), Açores (57,3%), Makroregion Centralny na Polónia (54,8%), Makroregion Wschodni na Polónia (54,0%), Severna i yugoiztochna na Bulgária (53,3%), Centro de Espanha (52,5%), Noroeste de Espanha (52,4%), Norra Sverige na Suécia (52,0%), Letónia (50,9%) e Sul (50,3%).

Com base nesta informação estatística, chega-se à conclusão que, efectivamente, as três regiões ultraperiféricas ocupam os três lugares cimeiros na União Europeia em termos de percentagens de mulheres que trabalham nas áreas da ciência e engenharia: 1.º lugar Canárias, 2.º lugar Madeira e 3.º lugar Açores.

"As percentagens mais elevadas de mulheres cientistas e engenheiras foram registadas nas Ilhas Canárias, nos Açores e na Madeira" - Comentário de Karol-A, na plataforma Reddit