"Sem hotelaria não há Turismo"
Vice-presidente da AHP deixa guião para um sector com elevada capacidade de adaptação
A vice-presidente Executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, viajou hoje pelo ‘Turismo num mundo imperfeito’, determinada em apontar caminhos para um sector que tem revelado ser capaz de sobreviver a todas as crises, sejam elas provocadas pelas guerras, pelas intempéries ou por uma pandemia.
E para que conste “quando há crises, o turismo não colapsa, adapta-se", referiu na sua intervenção durante o 35.º congresso da AHP que decorre desde ontem, na Alfândega do Porto. Tamanha capacidade, leva-a a concluir que "sem hotelaria não há Turismo", pois a hotelaria adapta-se quando os fluxos mudam, por ser autónoma, independente e capaz de manter a hospitalidade, que julgar ser "a normalidade e continuidade de num mundo instável”.
Para além da capacidade de adaptação às crises, que não são novas e fazem parte da história, que mostra "que o turismo nunca foi apenas lazer e a hotelaria nunca foi apenas alojamento, mas sempre resposta", Só que Cristina Siza Vieira sublinha que depois da crise, o sector revela outras potencialidades, desde encurtar distâncias aos significados diversos.
Defensora da tese que quem se adapta primeiro é quem sabe ajustar o modelo, Cristina Siza Vieira lembra que no pós-pandemia, muito mais do que os preços, a confiança foi fundamental para que o sector voltasse a retomar a actividade. “Os preços baixos não substituem a confiança e a previsibilidade. Em determinados momentos entusiasmam, mas a pandemia mostrou-nos que por muito baixos que os preços fossem as pessoas não podiam viajar”, afirmou. "Sem confiança não há retoma", sublinha.
Cristina Siza Vieira entende ainda que em contextos de crise "o serviço torna-se a verdadeira vantagem competitiva" e que em contextos de instabilidade "ganha quem sabe gerir".
A este nível deu nota das mudanças de hábitos dos consumidores de luxo na hotelaria, que procuram o wellness, câmaras hiperbáricas e o reset espiritual, com o mínimo de intervenção de pessoas, assumindo que Portugal tem oportunidades em captar clientes do segmento de "hiperluxo".