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Partido de Corina vê "oportunidade real" para mudança rumo à liberdade

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O partido da oposição Anda Venezuela, dirigido por María Corina Machado, afirmou hoje existir no país uma "oportunidade real" de mudança rumo à liberdade, com a consulta pública à proposta de amnistia do Governo interino.

"O país atravessa uma conjuntura única, com uma oportunidade real para uma mudança profunda em direção à liberdade, à democracia e à prosperidade", declarou o partido Anda Venezuela (VV, na sigla em espanhol), numa "Proclamação dos presos libertados, dos retornados e dos saídos da clandestinidade", publicada na rede social X.

O partido indicou que esta oportunidade "foi construída pelo povo" e acrescentou que todos os venezuelanos devem "poder lutar publicamente pelos seus direitos", se houver "um verdadeiro compromisso" com o "fim da perseguição política".

Defendeu, por isso, que a censura deve acabar, todos os presos políticos devem ser libertados e deve ser autorizado o "regresso seguro" dos exilados.

Advertiu, contudo, de que "nada está garantido" e que é responsabilidade da população "aproveitar a oportunidade histórica" que a Venezuela tem.

"Faz-se um apelo a todo o país para que defenda os direitos com calma e firmeza, sem medo nem violência, tendo a verdade como guia", acrescentou.

Desde 08 de janeiro, quando foi anunciado um processo de libertação de presos políticos, concentraram-se familiares e ativistas em frente às prisões para exigir a liberdade de todos os reclusos, enquanto alguns líderes da oposição saíram da clandestinidade.

Entre os libertados --- 431, de acordo com a organização não-governamental (ONG) Foro Penal, desde o início de janeiro, e 896, segundo o Governo interino, desde dezembro --- encontram-se vários membros do VV.

No passado fim de semana, líderes políticos e figuras próximas de María Corina Machado, prémio Nobel da Paz 2025 - como os ex-deputados Freddy Superlano e Juan Pablo Guanipa, e o advogado Perkins Rocha, assessor de Machado - foram transferidos para as suas residências para cumprirem prisão domiciliária.

Entretanto, o parlamento avança com o processo de consulta pública sobre a proposta de lei de amnistia, tendo-se reunido com académicos, organizações de defesa dos direitos humanos e, na terça-feira, com familiares de presos políticos.

Anunciada pela Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e aprovada na generalidade, a proposta deve passar por um segundo debate parlamentar para ser aprovado como lei.

Após a captura do então líder venezuelano, Nicolás Maduro, a 03 de janeiro deste ano, o Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, designou Delcy Rodríguez como principal interlocutora e, até à data, excluiu Machado do processo de transição, considerando que esta não tem apoio interno suficiente para liderar o país.