Nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, que se realizam até 22 de Fevereiro nas cidades italianas de Milão e de Cortina d'Ampezzo, os holofotes não estão apenas sobre a neve, o gelo e as diversas modalidades. Entre os atletas que desafiam a gravidade no esqui, os jornais e as redes sociais surgiu o rumor que todos comentam: o 'Penisgate'. Segundo alegações, alguns atletas terão recorrido a métodos pouco convencionais para melhorar a sua aerodinâmica, na esperança de ganhar vantagem sobre os rivais.
O termo 'Penisgate' refere‑se à polémica que explodiu em Janeiro, antes do arranque da actual edição actual dos Jogos Olímpicos de Inverno, e que envolve alegações de que alguns atletas de salto de esqui recorreram a injecções de ácido hialurónico no pénis para tentar obter uma vantagem competitiva na prova.
A polémica começou na sequência de um artigo publicado pelo jornal alemão Bild que sugeria que alguns saltadores poderiam estar a injectar ácido hialurónico nos seus órgãos genitais. Segundo a reportagem, essa prática teria como objectivo alterar as medidas usadas no ajuste dos fatos de competição, tornando‑os mais folgados e, teoricamente, aerodinâmicos, o que poderia aumentar a distância dos saltos.
O que faz exactamente o ácido hialurónico?
Segundo Eric Chung, professor e cirurgião urologista, citado pelo The Guardian, o ácido hialurónico é um preenchimento amplamente utilizado em cirurgia estética, incluindo injecções para aumentar a circunferência do pénis.
A injecção de ácido faz com que o pénis se torne mais espesso, mas, como explica Chung, é "necessário injectar uma grande quantidade" para alcançar um efeito significativo, que é temporário e exige um reforço de 6 a 12 meses.
O mesmo especialista deixa ainda o alerta para os riscos associados à prática, tanto a curto como a longo prazo, sublinhando que a técnica de injecção inadequada ou uma dose incorrecta pode causar dor, resultado estético insatisfatório, deformação, infecção, inflamação, alterações na sensibilidade e disfunção sexual. Em casos raros, a infecção pode espalhar-se, levando a gangrena ou perda do tecido peniano, incluindo a possibilidade extrema de perda total do pénis.
E porque razão isto é relevante no esqui?
Porque no salto em esqui cada centímetro faz mesmo a diferença. Antes das temporadas competitivas, os atletas do salto de esqui são submetidos a medições corporais com scanners. Durante este processo, vestem apenas uma cueca elástica apertada e uma das medidas registadas é a altura da virilha, que é fundamental para a confecção adequada dos trajes de competição.
Os fatos de competição são cuidadosamente regulados pelas autoridades, e pequenas variações no ajuste ou na forma do corpo podem ter um impacto directo na aerodinâmica do atleta. Ou seja, quanto mais suave for o contorno do corpo dentro do fato, menor é o atrito com o ar, e maior pode ser a distância do salto.
Por esta razão, qualquer método que possa alterar temporariamente as medidas corporais, mesmo que apenas por alguns centímetros, pode aumentar a sustentação durante o voo e permitir saltos mais longos, oferecendo assim uma vantagem competitiva significativa num desporto em que o resultado se mede ao milímetro.
O que dizem as autoridades oficiais?
A agência Mundial Antidoping (WADA) confirmou que está a acompanhar e a monitorizar a situação, e que qualquer alegação com provas relativas ao uso de métodos que afectem o desempenho será investigada, se forem apresentadas evidências concretas.
O director‑geral da agência, Olivier Niggli, e o presidente Witold Banka comentaram o assunto em conferências de imprensa e salientaram que, até ao momento, não existem provas de que os atletas olímpicos estejam a fazer essas injecções.
Também a Federação Internacional de Esqui, organismo que regula esta modalidade, considerou as alegações como rumores sem base factual e afirmou que não há evidência de que os atletas tenham recorrido a tais práticas.