Jaime Filipe classifica PS e Chega de "ridículos" por se apropriarem de resultados presidenciais
O líder parlamentar do PSD, Jaime Filipe Ramos, felicitou António José Seguro como novo Presidente da República e utilizou o adjectivo "ridículo" por várias vezes ao comentar as intervenções dos deputados Paulo Cafôfo (PS) e Miguel Castro (Chega), que associaram os seus partidos aos resultados das eleições presidenciais de domingo.
No entender do porta-voz 'laranja', "estas eleições foram esclarecedoras e permitiram que o país, mesmo em circunstâncias difíceis, estivesse mobilizado na escolha do próximo Presidente da República". Criticou quem definiu estas eleições como uma escolha entre democratas e não democratas: "Ouvi dizer muitas vezes que foi uma escolha dos democratas. Não consigo entender, porque graças a Deus há 50 anos que há escolhas democráticas em Portugal. Não posso aceitar que na noite eleitoral haja quem fale em democratas e pouco democratas. Podemos falar que haja mais responsável ou menos responsável no exercício do cargo. Não aceitamos quem venha para as eleições dizer que uns são democratas e outros não são democratas".
De seguida, Jaime Filipe Ramos considerou "ridículo e ofensivo" dizer que a vitória de António José Seguro foi uma vitória do PS, pois inicialmente, quando as sondagens eram modestas, este partido "não quis" e "não sabia" quem era António José Seguro. O PS "só acordou" para esta candidatura quando as sondagens melhoraram. "Assistimos pessoas a correr para as câmaras de televisão na noite eleitoral para dizer que tinham tido uma vitória. Isto é gozar com o eleitorado. Dizer que ganharam quando não contribuíram", denunciou.
Jaime Filipe Ramos explicou que as mesmas críticas aplicam-se ao Chega, porque "quer fazer do resultado das presidenciais um resultado das legislativas". "Isto é ridículo. Acha que nas eleições legislativas haverá só dois partidos. Isto também é gozar com o eleitorado. O resultado não é transferível e é gozar com o eleitorado", adiantou. O líder parlamentar do PSD classificou igualmente de "ridículo" o entendimento de que o "líder do Chega liderava a direita" no país.
Depois apontou vários resultados eleitorais: Miguel Castro teve 5% nas primeiras eleições regionais e agora André Ventura teve 43% na Madeira; Paulo Cafôfo teve 15% e António José Seguro teve agora 56%. Tudo isto para concluir que os resultados eleitorais não são comparáveis nem transferíveis de uma eleição para outra: "Não posso aceitar esta comparação. Não façam o povo de estúpido. Não se apropriem da liberdade e da escolha das pessoas. São actos diferentes em momentos diferentes".
Jaime Filipe Ramos disse que gostaria de ver o novo Presidente da República nas comemorações dos 50 anos da Autonomia da Madeira e confessou-se expectante quanto ao que António José Seguro pensa sobre os poderes autonómicos. Sobre este último aspecto, detectou "sinais preocupantes", já que o candidato apoiado pelo PS disse que se opõe a uma revisão constitucional. A confirmar-se essa posição, o líder parlamentar teme que o próximo mandato presidencial seja "tempo perdido para a Região Autónoma da Madeira" na sua aspiração de aprofundamento autonómico.
Por último, o porta-voz social-democrata espera que, apesar de não concordar com a manutenção do cargo de Representante da República, a escolha que Seguro fizer para o cargo recaia em "alguém que tenha o mínimo de noção sobre a nossa realidade e que não seja um estranho à Madeira".