Cafôfo afirma que vitória de Seguro “é também vitória do PS-Madeira”
A sessão plenária desta terça-feira no parlamento regional abriu com uma intervenção do líder parlamentar socialista Paulo Cafôfo sobre as eleições presidenciais, que, em seu entender, representaram “um momento decisivo para a democracia portuguesa” e, de forma particular, para a democracia regional, sublinhando que os madeirenses confiaram a Presidência da República a António José Seguro com “uma maioria inequívoca e uma vitória clara, expressiva e histórica”.
Segundo o deputado, trata-se de um resultado inédito, por ser a primeira vez que um candidato apoiado pelo Partido Socialista vence na Madeira logo no primeiro mandato presidencial. Cafôfo considerou que a vitória foi alcançada “contra o cepticismo, o ruído e a política do medo”, defendendo que o resultado demonstrou que “a serenidade, a coerência e o bom senso continuam a mobilizar maiorias”.
O deputado atribuiu o mérito, em primeiro lugar, a António José Seguro, mas destacou também o contributo do PS-Madeira, dos seus militantes e simpatizantes, sublinhando que, se o partido é associado a derrotas quando os candidatos que apoia perdem, também deve ser reconhecido quando esses candidatos vencem.
No seu discurso, Paulo Cafôfo alertou para os resultados alcançados por André Ventura na Região. Referiu que o líder nacional do Chega obteve quase 60 mil votos na Madeira — número próximo do alcançado pelo PSD nas últimas eleições regionais de 2025 — e que, na segunda volta, somou mais cerca de 15 mil votos do que na primeira.
Embora tenha sido derrotado a nível nacional e regional, Cafôfo frisou que Ventura “não foi eliminado”, advertindo que a normalização do líder do Chega ou a equiparação entre António José Seguro e André Ventura só contribuem para alimentar a extrema-direita.
O deputado socialista afirmou respeitar o voto de todos os cidadãos, incluindo os que escolheram Ventura, mas diferenciou esse respeito dos projectos políticos que, na sua perspectiva, pretendem desmantelar a democracia e enfraquecer o Estado de direito. Defendeu que o combate ao crescimento do Chega deve ser feito através de respostas concretas aos problemas das pessoas, nomeadamente na saúde, habitação, rendimentos e distribuição da riqueza.
Paulo Cafôfo destacou também o perfil autonomista de António José Seguro, recordando que foi o primeiro candidato a criticar o subsídio de mobilidade e as alterações introduzidas pelo Governo da República do PSD. Sublinhou que o Presidente eleito entende a Autonomia como parte integrante da democracia portuguesa.
No ano em que se assinalam 50 anos de Autonomia, o deputado defendeu uma nova Lei das Finanças Regionais, a revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira e uma “revisão cirúrgica” da Constituição para reforçar e aprofundar a Autonomia Regional, competência que reconheceu caber à Assembleia da República.
Cafôfo sublinhou que estas alterações não são meros formalismos, mas decisões que visam melhorar a vida dos cidadãos, garantindo igualdade no acesso a direitos e oportunidades, independentemente do código postal.
O parlamentar afirmou ainda que António José Seguro será um Presidente cooperante, mas exigente, tanto com o Governo da República como com o Governo Regional. Defendeu que cooperação não significa complacência e que estabilidade não pode ser confundida com imobilismo.
Segundo Paulo Cafôfo, os portugueses e em particular os madeirenses esperam um Presidente que una, mas que exija resultados, respeite as instituições e esteja atento às dificuldades reais das pessoas, bem como às aspirações da Região em aprofundar a sua Autonomia.