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Rei de Espanha diz que ataque a um Estado-membro é ataque a toda a UE

Em Ceuta, foram removidas mais de 200 toneladas de resíduos da praia Trampolin, onde permaneceram centenas de imigrantes. 
Em Ceuta, foram removidas mais de 200 toneladas de resíduos da praia Trampolin, onde permaneceram centenas de imigrantes. , Foto EPA/LAURA RINCON

O Rei de Espanha defendeu hoje que toda a União Europeia (UE) é alvo de ataque se um dos seus Estados-membros é atacado ou ameaçado e que isso é válido tanto no "flanco sul" como no Ártico.

Sem nunca referir em concreto Ceuta, cidade espanhola no norte de África, no "flanco sul" da UE, e com Espanha a ter as únicas fronteiras terrestres externas entre o bloco europeu e o continente africano, Felipe VI afirmou que "na situação geopolítica atual, seria excessivamente simplista, até míope, considerar que uma crise está limitada à localização geográfica dos acontecimentos".

"Qualquer ameaça ao flanco sul também é uma ameaça ao flanco norte. Uma ameaça ao flanco oriental também é uma ameaça ao flanco ocidental. E vice-versa", acrescentou o chefe de Estado espanhol, que falava na Finlândia, no "flanco norte" europeu e da NATO, a organização de cooperação e defesa a que o país, com fronteiras com a Rússia, aderiu em 2023.

Felipe VI acrescentou que é por isso que Espanha tem tropas ou já anunciou mais militares em missões europeias e da NATO em países como a Letónia, Eslováquia, Roménia e Finlândia.

"Para fortalecer a vigilância, a dissuasão e a reação rápida na região do Ártico e do extremo norte", sublinhou.

"Estão a defender a nossa fronteira, a nossa fronteira única, a nossa fronteira partilhada", acrescentou, antes de afirmar que acredita "firmemente na lealdade entre verdadeiros amigos e aliados" e não ter dúvida "de que qualquer ameaça contra o que se chama fronteira sul seria enfrentada com igual solidariedade, determinação e eficácia por todos os Estados-membros".

Na semana passada, quando recebeu em Madrid o Presidente francês, Emmanuel Macron, Felipe VI já tinha pedido um reforço da colaboração dos Estados-membros da UE face à "intrusão em massa de dezenas de milhares de pessoas em Ceuta", lembrando que aquela também é uma fronteira europeia.

"Os países que suportam uma maior pressão por estarem situados na fronteira externa da União Europeia não podem enfrentar sozinhos uma responsabilidade que é de todos", advertiu.

O Rei espanhol destacou a necessidade de haver mais eficácia e solidariedade "na proteção da fronteira externa da UE".

"O que ocorreu em Ceuta este verão, a intrusão em massa de dezenas de milhares de pessoas violando uma fronteira espanhola que é, também, uma fronteira europeia, é inaceitável e representa um enorme desafio, do ponto de vista da segurança, da ordem pública e da questão humanitária", alertou o monarca.

Esta situação deverá resultar num reforço da colaboração entre os Estados-membros em termos de recursos e cooperação, defendeu.

A cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, é um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, e é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

No final de julho entraram ilegalmente mais de 70.000 pessoas em 24 horas em Ceuta, num episódio que o Governo espanhol considerou um ataque à integridade territorial de Espanha e um ataque à própria UE.