Ir ao Cimo da Montanha
Minha ilha da Madeira,
Terra que me viu nascer,
Sabes da verdade inteira,
De quanto estou a escrever.
Ah, cidade do Funchal!...
Moras no meu pensamento.
Tão bela, não tens igual,
Meu torrão e meu alento.
Hoje, não quero ter pressa,
Nada tenho que fazer.
Só desejo o que me interessa:
Sempre sonhar e viver!
Depois de tanto lutar,
Sinto esta tranquilidade.
Vivi sempre a trabalhar,
Logo desde a tenra idade.
Aos onze anos, sem vintém,
Fui trabalhar para a cidade,
Muito longe da minha mãe,
Para vencer necessidade.
Fui um moço de recados,
Fazia um pouco de tudo.
Tinha os minutos contados.
E julgava-me um sortudo.
Um escudo, em cada dia,
Comida e roupa lavada.
Era quanto eu recebia,
Para entregar à mãe amada.
Sempre quis ser engenheiro,
Cresci sonhando com isso.
Trabalhei para ter dinheiro,
Estudei por compromisso.
Minha escalada foi dura,
Feita, degrau a degrau.
Fiz a licenciatura,
Naveguei a minha nau.
Prémio da tenacidade
É o orgulho que me acompanha:
Partir da necessidade,
Ir ao cimo da montanha.
De vitórias em vitórias,
Sempre cumpri meus desejos:
Honrar as minhas memórias,
Prosseguir os meus ensejos.
Problemas desta vida,
Melhor seria não tê-los.
Para ver a missão cumprida,
Aprendi a resolvê-los.
Querida mãe agradeço,
Por tudo o que me ensinaste,
Cresce em mim o grande apreço,
Do legado que deixaste.
Meus filhos sabem da história,
Gravada aqui, nestas linhas.
Que lhes vivam na memória,
Muito atentas e vizinhas!
Guilherme Costa Ganança