Meandros da sociedade
Mói o moinho indiferente
A triturar o grão
Numa comparação
À vida de muita gente
Espremida como limão
Por alguém que não o sente
Nasce o sol p’ra toda a gente
Apenas meia verdade
Porque na realidade
O sol que é tão quente
Não aquece a frieza
De muita alma carente
Há muita gente humilhada
Pelos donos disto tudo
Só porque foram sortudos
No peito não têm nada
Ignoram a própria morte
Onde a vaidade se acaba
Gera a fama e o dinheiro
Aluviões na cabeça
E o seu orgulho tropeça
Num profundo lamaceiro
Atolando sua modéstia
Conspurcada no lameiro
São vícios da sociedade
Onde ainda infelizmente
Abrange muita gente
Sedenta de autoridade
A impor a qualquer preço
O peso da sua vaidade
José Miguel Alves