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Ventura anuncia pacote legislativo de emergência e admite défice para financiar medidas

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O presidente do Chega anunciou hoje que o partido vai apresentar um "pacote legislativo de emergência" para a habitação, propondo aumentar as deduções em IRS, e admitiu défice orçamental para financiar as medidas.

Numa conferência de imprensa na sede nacional do Chega, em Lisboa, André Ventura defendeu a necessidade de um entendimento entre os partidos para aprovar medidas que possam "tocar verdadeiramente nos pontos que interessam em matéria da habitação em Portugal e dos grandes problemas" dos últimos anos.

O Chega vai propor "a reavaliação dos benefícios fiscais de quem está em Portugal com muito dinheiro para comprar casas", uma revisão do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e um aumento em 50% das deduções em IRS relativas a rendas e prestações do crédito à habitação

Questionado sobre se a aplicação destas propostas pode comprometer o excedente orçamental previsto para o próximo ano, André Ventura admitiu que "vale a pena correr o risco" de ter défice se isso significar uma melhoria nas condições de habitação dos portugueses.

"Porque não interessa de nada termos um país de contas ricas com pessoas pobres. Sinceramente, não interessa de nada termos um país com contas certas com pessoas todos os meses com contas incertas. Eu acho que é esse cálculo que temos que fazer", defendeu.

Questionado sobre se este pacote significa que o acordo com o PSD para alterar a lei do arrendamento fica sem efeito, Ventura frisou que o que foi acordado foi um conjunto de alterações que o Governo deveria fazer na discussão na especialidade e que esse processo ainda não avançou.

"Até ao momento não tivemos nenhum sinal de que o Governo quisesse corrigir isto, mas o processo também ainda não começou", disse, enfatizando que se o executivo "não corrigir" o diploma, as alterações à lei do arrendamento "não passarão".

Em relação às manifestações pela habitação e a nova lei do arrendamento proposta pelo Governo, o líder do Chega antecipou que se nada for feito os protestos escalem "com mais força, mais garra, mais ambição" e a adesão de outras organizações, inclusive partidos políticos.

"Pode deixar de ser uma manifestação ou um grupo de manifestações minoritárias e tornarem-se verdadeiramente gritos de insatisfação transversais à sociedade com associações, partidos, movimentos", considerou, frisando que o "Chega lutará pela habitação se o problema da habitação não for resolvido".