Mais uma de Ventura
André Ventura está no centro da polémica. Desta vez, a Comissão de Transparência da Assembleia da República chamou a atenção para a utilização de imagens que suscitavam dúvidas sobre a actividade de deputados de outros partidos nos corredores da Parlamento.
Este episódio é relevante. A comunicação política nas redes sociais exige rigor, transparência e respeito pelos factos. Quando as imagens transmitem uma ideia diferente da realidade, as consequências vão muito além do adversário político visado. Ventura transmite uma ideia deturpada da realidade para minar a confiança dos portugueses nas instituições.
Importa, contudo, perguntar até que ponto esse discurso é acompanhado por propostas consistentes e por soluções concretas para os problemas do país.
Ventura domina o espaço mediático com declarações polémicas e uma comunicação agressiva, enquanto as sondagens continuam a garantir a expressão eleitoral do seu partido. Esta realidade merece uma reflexão séria: por que razão a política do ruído e do confronto consegue mobilizar tantos portugueses? E o que revela isso sobre o funcionamento dos partidos tradicionais e a resposta que têm dado às preocupações dos cidadãos?
O PSD permite a aproximação do Chega à esfera de influência política do governo de Montenegro, mas não quer saber das consequências políticas dessa estratégia.
Perante o crescimento da extrema-direita, cabe a todos os democratas reflectir sobre as razões deste aumento, responder aos problemas concretos das pessoas e defender, com firmeza e sem radicalismos, a liberdade, o pluralismo, a imprensa livre e as instituições democráticas. O futuro da democracia depende também da nossa capacidade de agir com responsabilidade.
Carlos Oliveira