DNOTICIAS.PT
A Guerra Mundo

Ordenada retirada de famílias dos dois últimos grandes bastiões do Leste da Ucrânia

None

As autoridades ucranianas ordenaram hoje a retirada obrigatória das famílias com crianças de todas as localidades dos dois grandes aglomerados urbanos ainda sob o seu controlo no Donbass, no leste da Ucrânia: Kramatorsk e Sloviansk.

Estas duas cidades são os últimos bastiões do Exército ucraniano na região oriental de Donetsk, que o Kremlin estabeleceu como objetivo conquistar integralmente. As tropas russas têm vindo a aproximar-se lentamente há meses.

"Estamos a ampliar a zona de retirada obrigatória para famílias com crianças: abrange agora todas as localidades dos núcleos urbanos de Kramatorsk e Sloviansk", anunciou na plataforma digital Telegram o governador regional, Vadym Filashkin, sem especificar quantas pessoas afeta esta ordem.

Segundo Filashkin, "a situação de segurança continua a deteriorar-se", com o Exército russo a atacar as duas cidades "todos os dias".

"Permanecer no local com crianças representa um risco injustificável", afirmou.

As autoridades locais já tinham anteriormente determinado evacuações obrigatórias de várias secções das zonas habitadas de Sloviansk e Kramatorsk, que englobam estas cidades e as aldeias circundantes.

Em meados de outubro, uma responsável local, Yulia Ryzhakova, indicou que cerca de 350 crianças viviam ainda em zonas de Kramatorsk e Sloviansk onde tinha sido decretada a evacuação obrigatória.

Ryzhakova precisou também que mais de 70.000 pessoas, incluindo cerca de 3.000 crianças, habitavam ainda nas zonas controladas por Kiev na região de Donetsk.

As forças russas encontram-se a entre cinco e 15 quilómetros de Kramatorsk e de Sloviansk, segundo diferentes fontes, mas os seus ataques já estão a causar um impacto significativo na vida local.

Na terça-feira, um bombardeamento russo fez quatro mortos em Kramatorsk; duas semanas antes, 30 pessoas morreram noutro bombardeamento, quando seguiam em dois autocarros na mesma cidade.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014, alvos militares, logísticos e petrolíferos utilizadas para sustentar a ofensiva russa.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões -- Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia -, além da península da Crimeia, e renuncie para sempre a aderir à NATO.

Os esforços diplomáticos mediados pelos Estados Unidos para pôr termo à guerra prosseguem, mas até agora sem resultados, mais de quatro anos e meio depois do início da invasão russa em grande escala do país vizinho, mantendo-se as trocas de prisioneiros e de cadáveres de militares como uma das poucas áreas de cooperação entre Moscovo e Kiev.