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Governo açoriano rejeita queda alarmante no turismo e diz que captar rotas é exigente

Foto Governo dos Açores/Facebook
Foto Governo dos Açores/Facebook

O Governo Regional dos Açores rejeitou hoje que o turismo esteja em "queda alarmante", expressou disponibilidade para trabalhar com as empresas e lembrou que a "captação de rotas é um processo exigente" com "resultados a médio prazo".

"Vivemos um período exigente, mas felizmente não estamos em queda alarmante, como afirma o PS, com o intuito de obter alguns ganhos políticos sem se preocupar com os danos reputacionais que provoca no destino Açores", afirmou a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas.

Berta Cabral falava no plenário da Assembleia Legislativa Regional, na Horta, durante o debate de emergência sobre o turismo solicitado pelo PS/Açores.

Além de realçar que 2025 foi o "melhor ano de sempre no turismo dos Açores", a secretária regional sinalizou que em 2026 as receitas do setor são superiores a 2025 e os "valores de dormidas e hóspedes estão acima de 2024", apesar de a região registar uma redução das dormidas há 11 meses consecutivos.

"Estamos disponíveis para trabalhar com as empresas e com as associações representativas do setor na definição de respostas adequadas", afirmou, insistindo que a "captação de rotas é um processo exigente e com resultados a médio prazo".

Berta Cabral destacou que a oferta "cresceu muito significativamente" nos últimos anos, lembrando que "entre 2022 e agosto de 2026, o número de camas disponíveis na região cresceu 32,7%, sobretudo através do Alojamento Local".

"Não podemos deixar de referir que há diferenças entre ilhas, mercados e segmentos e que os Açores estão a ficar conotados como um destino caro devido aos elevados preços do alojamento, restauração e rent-a-car", vincou Berta Cabral.

No debate, o líder do Chega/Açores, José Pacheco, criticou os preços "disparatados" das passagens, acusando a SATA e a TAP de se estarem a "financiar de forma ilegal", e apelou à criação de um "plano estratégico para o turismo" a longo prazo.

Já o deputado do PSD Rúben Cabral criticou a "imaginação socialista" e considerou "não ser sério isolar um único indicador para decretar o declínio de todo um destino", referindo-se às dormidas, já que os proveitos da hotelaria aumentaram.

"O PS precisa de uma crise para ter tempo de antena", visou o social-democrata, após a socialista Marlene Damião ter criticado a "inação" do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).

Pedro Neves, do PAN, defendeu a redução da pressão turística nas épocas de maior procura porque "não se pode confundir crescimento turístico com desenvolvimento sustentável", enquanto o deputado do BE, António Lima, afirmou que o Governo Regional "é responsável pelo excesso de oferta" no setor.

O deputado do PPM, João Mendonça, aproveitou para defender que "devem ser reestabelecidas as ligações marítimas em todas as ilhas durante a época alta" e as "ligações permanentes entre São Miguel e Santa Maria".

"Está na altura de apostar fortemente no transporte marítimo de passageiros", afirmou o monárquico, considerando que a SATA está "saturada" na época alta e a empresa de transporte marítimo Atlânticoline já está com as "contas sanadas".

Luís Silveira (CDS-PP) reforçou que a região registou em 2025 os "melhores resultados de sempre", mas defendeu que "não se devem desvalorizar as preocupações dos empresários".

O deputado da IL, Nuno Barata, alertou para o "efeito da inflação no aumento da receita" e considerou que a "notoriedade" do destino "foi um problema que não foi bem resolvido".

O parlamento açoriano é composto por 57 deputados - 23 do PSD, 23 do PS, cinco do Chega, dois do CDS-PP, um do IL, um do BE, um do PAN e um do PPM.