Zelensky pede pausa na frente de batalha antes das negociações
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, defendeu hoje uma pausa na frente de batalha como ponto de partida das negociações para colocar fim à guerra entre a Ucrânia e a Rússia.
"Agora, precisamos pausar a situação e acredito que esta é a verdadeira forma de acabar com esta guerra. Chamem-lhe um cessar-fogo ou uma interrupção das mortes, como disse o Presidente [dos Estados Unidos, Donald] Trump, um congelamento, uma paralisação. É o mínimo que esperamos hoje da Rússia", afirmou o líder ucraniano em entrevista à Fox News.
"Depois, claro, recorreremos ao Presidente (Trump) e aos europeus para solicitar garantias de segurança", acrescentou Zelensky, um dia depois da reunião com os enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner [este último por videoconferência], assim como com os líderes da Noruega e da Finlândia.
Zelensky afirmou ainda que qualquer negociação de paz deve incluir a Ucrânia.
"Sempre disse que estávamos prontos para negociar em qualquer formato e sobre qualquer assunto. Mas, por favor, não falem de nós sem a nossa presença", afirmou.
As relações entre Washington e Kiev estão tensas. As autoridades ucranianas acusam os Estados Unidos de já não apoiarem o país de forma suficiente - chegando mesmo a sugerir que estariam a ajudar Moscovo no contexto de um acordo para o fornecimento de gasóleo russo.
Kiev acusou ainda Washington de ter reduzido deliberadamente o desempenho do sistema de comunicações Starshield, operado pela SpaceX e fundamental para as comunicações militares ucranianas.
Os serviços Starlink e Starshield mantêm-se "limitados", indicou Volodymyr Zelensky.
"Mas o secretário de Estado norte-americano[Marco Rubio] disse-me que iria trabalhar com a sua equipa para resolver a situação", referiu Zelensky.
Quase cinco anos após o início do conflito - desencadeado em 24 de fevereiro de 2022 por uma ofensiva russa de grande escala na Ucrânia -, os militares continuam na frente de combate, sem avanços significativos de qualquer dos lados.
Além disso, as discussões conduzidas sob a mediação dos Estados Unidos não resultaram, até ao momento, em qualquer progresso para pôr fim ao conflito.