Falta de iodo afecta crianças e grávidas
Carmo Faria destaca medidas adoptadas na Região para combater carência nutricional e defende utilização de sal iodado
A carência de iodo continua a representar um problema de saúde pública, particularmente entre grávidas e crianças, podendo comprometer o desenvolvimento cerebral e cognitivo. O alerta foi deixado por Carmo Faria, durante a conferência dedicada à agricultura e à alimentação, promovida pela Ordem dos Engenheiros Técnicos.
A oradora recordou que estudos realizados na Madeira identificaram níveis inadequados de iodo em 68% das crianças e 92% das mulheres grávidas, resultados que motivaram a adopção de medidas de prevenção pelas autoridades regionais.
O iodo é um micronutriente essencial ao funcionamento da tiróide, à regulação do metabolismo e ao desenvolvimento físico e cerebral, sobretudo durante a gravidez, infância e juventude.
Carmo Faria destacou a importância das medidas regionais, nomeadamente a comparticipação integral da suplementação de iodo e ácido fólico durante a preconceção, gravidez e amamentação, procurando garantir o acesso independentemente da condição económica.
Referiu ainda a iniciativa legislativa de 2025 destinada a tornar obrigatória a utilização de sal iodado em sectores como a panificação, pastelaria, restauração e cantinas escolares.
Em 2026, foi criada uma comissão responsável por acompanhar os níveis de iodo da população, avaliar a eficácia das medidas e promover campanhas de sensibilização.
A nutricionista da Direcção Regional da Saúde, que integra a comissão em representação da Ordem dos Nutricionistas, sublinhou, contudo, que a utilização de sal iodado não significa aumentar o consumo de sal. Pelo contrário, recordou que a Organização Mundial da Saúde recomenda um máximo de cinco gramas diários, quando o consumo médio em Portugal ronda os 12 gramas.
"Reduzir o consumo de sal e promover a sua iodização são objectivos complementares", salientou.