Juventude Popular aponta falta de mão-de-obra e entraves à habitação
A falta de mão-de-obra especializada, a complexidade dos licenciamentos e as dificuldades de financiamento das famílias foram alguns dos desafios identificados pela Juventude Popular da Madeira (JP Madeira) no âmbito das jornadas "Construir Futuro — Casa, Família e Natalidade", dedicadas ao acesso à habitação.
A iniciativa incluiu uma visita à empresa Obracentímetro – Construção Civil e uma reunião com a ACIF – Câmara de Comércio e Indústria da Madeira, com o objectivo de conhecer as dificuldades sentidas pelo sector e discutir soluções para aumentar a oferta de habitação na Região.
Na visita à Obracentímetro, empresa familiar dirigida por Paulo Viveiros, a JP Madeira conheceu o percurso de crescimento de uma estrutura que começou numa pequena garagem e conta actualmente com mais de uma centena de trabalhadores. A empresa desenvolveu capacidade própria em áreas como a carpintaria e a serralharia, reduzindo a dependência de serviços externos.
Entre os principais problemas apontados esteve a escassez de profissionais qualificados, nomeadamente carpinteiros, serralheiros e electricistas. A formação profissional e a valorização das carreiras técnicas foram identificadas como factores importantes para responder às necessidades do sector, num contexto em que os encargos com os trabalhadores representam uma parcela significativa dos custos de construção.
A empresa partilhou ainda a experiência de jovens que procuram construir casa própria, referindo uma adaptação dos projectos às limitações financeiras das famílias, através da opção por habitações de menor dimensão. As dificuldades de acesso ao financiamento bancário, associadas aos rendimentos disponíveis, foram também apontadas como obstáculos à concretização desses projectos.
Na reunião com a ACIF, as jornadas abordaram a complexidade dos procedimentos de licenciamento, a necessidade de obter pareceres de diferentes entidades e as diferenças de procedimentos entre municípios, factores que, segundo a JP Madeira, podem atrasar novos projectos habitacionais.
O encontro permitiu ainda discutir a disponibilização de terrenos para construção, incluindo através do direito de superfície, bem como a construção modular e o reforço da articulação entre os sectores público e privado. Foram também abordadas as exigências técnicas e regulamentares aplicáveis aos materiais e às soluções construtivas e a possibilidade de criar incentivos à participação das empresas privadas na construção de habitação acessível e social.
Para a JP Madeira, a resposta à crise habitacional exige medidas que actuem também sobre os obstáculos à construção. "Não basta criar apoios para os jovens comprarem casa se continuarem a existir dificuldades que condicionam a construção de novas habitações", defende a estrutura, que considera fundamental "valorizar as profissões técnicas, simplificar procedimentos e encontrar soluções que permitam às empresas contribuir para aumentar a oferta habitacional, garantindo simultaneamente a segurança e a qualidade da construção".
As jornadas "Construir Futuro — Casa, Família e Natalidade" terminam esta quarta-feira, 21 de Outubro, pelas 18h30, com uma conferência na Junta de Freguesia de São Martinho, no Funchal. O painel contará com Susana Gouveia Neves, presidente da Secção Regional da Madeira da Ordem dos Arquitectos, e Pedro Paixão, presidente da direcção da ATLANTIDOMUS — Cooperativa de Habitação Económica Atlântica, para debater os desafios do acesso à habitação e as soluções para as novas gerações.