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Prevenir para proteger os ossos

Amanhã assinala-se o Dia Mundial da Osteoporose

Uma queda, um impacto ligeiro ou até um movimento aparentemente banal podem ser suficientes para provocar uma fractura. Em algumas pessoas, é precisamente neste momento que se descobre a osteoporose, uma doença metabólica caracterizada pela perda de densidade mineral óssea, que torna os ossos mais frágeis e susceptíveis a fracturas.

Considerada uma doença silenciosa, a osteoporose pode evoluir durante anos sem provocar sinais evidentes. Ao contrário de outras doenças, nem sempre causa dor ou desconforto numa fase inicial, o que faz com que muitas pessoas desconheçam que têm os ossos fragilizados até sofrerem uma fractura.

As lesões ocorrem sobretudo no punho, nas vértebras e na anca, podendo ter consequências significativas. Para além da dor e das limitações físicas, uma fractura pode dificultar a realização de tarefas quotidianas, comprometer a mobilidade e levar à perda de autonomia, obrigando, em alguns casos, à necessidade de apoio de terceiros.

Nem todas as pessoas apresentam o mesmo risco de desenvolver osteoporose. A idade, a predisposição genética, os antecedentes familiares e as alterações hormonais estão entre os factores que podem favorecer o aparecimento da doença. No entanto, há também hábitos de vida que influenciam a saúde óssea e que podem ser modificados.

De acordo com estimativas internacionais, cerca de 200 milhões de pessoas vivem com osteoporose. A doença afecta mais mulheres do que homens, sobretudo após a menopausa, e está associada a milhões de fracturas todos os anos.

A Organização Mundial de Saúde, segundo refere a DecoProteste, estima que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens, na fixa etária superior aos 50, venham a sofrer de uma fractura devido à osteoporose.

Já os dados em Portugal apontam que cerca de 80% dos doentes com osteoporose são mulheres e, por dia, existem cerca de 194 fracturas que ocorrem devido à osteoporose.

Factores de risco

A osteoporose pode dividir-se em dois tipos principais: primária e secundária. A primeira está sobretudo associada ao envelhecimento e às alterações hormonais que ocorrem após a menopausa. A segunda resulta de outras doenças ou da utilização de determinados medicamentos que interferem com o metabolismo e a manutenção dos ossos.

A idade é um dos principais factores de risco, uma vez que a densidade óssea tende a diminuir ao longo do envelhecimento. Nas mulheres, a menopausa pode acelerar este processo devido à redução dos níveis de estrogénio, uma hormona importante para a manutenção da massa óssea.

A predisposição genética também desempenha um papel relevante. Ter familiares com osteoporose ou com antecedentes de fracturas de fragilidade pode aumentar a probabilidade de desenvolver a doença. A existência de uma fractura anterior, sobretudo após uma queda ligeira, deve igualmente merecer atenção.

Entre os principais factores de risco encontram-se:

  • Baixa densidade mineral óssea;
  • O processo de envelhecimento pode acelerar o decréscimo da densidade óssea, aumentando o risco de fracturas;
  • As mulheres, especialmente após a menopausa, são mais susceptíveis à perda de densidade óssea do que os homens;
  • Um historial de osteoporose na família aumenta a probabilidade de se padecer desta doença;
  • Fumar, consumir bebidas alcoólicas, sedentarismo e uma alimentação pouco variada e pobre em cálcio e vitamina D contribuem para a perda de massa óssea, aumentam o risco de fraturas e são de evitar;

Diagnóstico e prevenção

O diagnóstico da osteoporose baseia‑se na história clínica, em exame físico e em testes complementares. A história clínica recolhe informações sobre antecedentes médicos, estilo de vida e factores de risco, enquanto o exame físico avalia a postura do doente, alterações de cifose (curvatura excessiva da coluna para a frente) ou diminuição da altura, sinais que podem indicar uma ou mais deformidades vertebrais.

Testes adicionais, como a densitometria óssea (que mede a densidade mineral óssea) e análises laboratoriais de cálcio, fósforo e outros marcadores, podem ser necessários.

A avaliação da densidade óssea é fundamental para estimar o risco de fratura e determinar a necessidade de tratamento, e deve ser realizada de acordo com o perfil de risco individual de cada doente.

Alimentação e prática de exercício físico

A prática regular de actividade física, especialmente exercícios que promovam a força muscular, o equilíbrio e a mobilidade, ajuda a proteger a estrutura óssea e a reduzir o risco de quedas.

Quanto a alimentos, o leite e derivados são boas fontes de cálcio. Se não gostar ou não puder ou quiser consumir leite e derivados, há alternativas.

Manter os níveis de vitamina D é outra maneira de prevenir a osteoporose. Uma pessoa saudável consegue prevenir a deficiência de vitamina D através da exposição ao sol duas vezes por semana. Faça-o durante 5 a 30 minutos, expondo os braços e as pernas à luz solar, mas utilize protector solar. 

Tratamento da doença

Apesar de todos os cuidados, a genética pode determinar que venha ocorrer a doença. Medicamentos como bifosfonatos (o ácido ibandrónico é um exemplo) inibem a reabsorção óssea, aumentado a densidade mineral do osso.

Da mesma família terapêutica faz parte o ácido zoledrónico. Outras terapias que ajudam a reduzir a perda óssea incluem a terapia hormonal, por exemplo.

Os resultados dos tratamentos com bifosfonatos são evidentes: uma terapia de três anos reflecte‑se em 20 a 30 vezes menor risco de fracturas vertebrais, 10 vezes menos não‑vertebrais e três vezes menos da anca.

Outra família terapêutica é a conhecida como anabólica. Esta serve, essencialmente, para estimular a formação de osso novo. No entanto, os resultados dos medicamentos são de percepção relativa pelos pacientes. Tal como a osteoporose é "silenciosa" até determinado estado, também o tratamento pode não ter resultados imediatamente perceptíveis. 

A suplementação de cálcio e de vitamina D também é, de resto, usada frequentemente como complemento a estes medicamentos, para assegurar a eficácia do tratamento.

O tratamento da osteoporose não se baseia apenas em medicamentos. A prática regular de exercício físico adaptado é uma parte fundamental da abordagem terapêutica. Contribui para a manutenção da força muscular, a melhoria do equilíbrio e a redução do risco de quedas.